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O SOM DA GENTE

O SOM DA GENTE

16
Jan14

EM TERRAS ONDE A PEDRA CANTA

somdagente

Na visita de O Som da Gente à freguesia de Alpendorada e Matos, o Sr. José Manuel Vieira Antunes foi o nosso guia.

Para além de ter sido um dos fundadores do Rancho Folclórico São João Baptista de Alpendorada e de também estar ligado a outras colectividades da terra, foi aqui, durante um quarto de século,  Presidente da Junta.

Durante o seu tempo de autarca teve a felicidade de ver progredir Alpendorada com a construção das mais variadas infra-estruturas e equipamentos. A Escola Eb2/3 foi uma delas. Ao tempo, foi uma decisão do então Primeiro Ministro Francisco Sá Carneiro que lhe comunicou telefonicamente a aprovação, pouco tempo antes de falecer no fatídico acidente de aviação.

 

Alpendorada, que é vila desde 1991, fica além Douro, em frente a terras de Cinfães, na fronteira da Beira Litoral, com o Douro Litoral e a Beira Alta e na confluência de três rios: o Douro, o Tâmega e o Paiva.

Esta é a terra

Esta é arte

Esta é a pedra

Que faz de nós parte

 

Para comemorar a passagem do milénio, a Junta de Freguesia de Alpendorada e Matos mandou erguer este monumento ao pedreiro.

A arte da pedra marca a história e é a principal actividade económica desta terra.

Daqui saiu muita pedra para calcetar as ruas de muitas vilas e cidades. Para o Porto era transportada de barco, via rio Douro, e à cabeça das pedreiras até ao rio.

Da mesma pedra se fizeram muitos palácios da cidade invicta e ainda muitos edifícios públicos na região como é o caso das antigas escolas primárias.

Das mãos dos pedreiros devastadores ou dos canteiros de Alpendorada saiu obras de arte que há-de perdurar por muitos séculos como é o caso da Ponte Duarte Pacheco em Entre-os-Rios.

A poucos metros, a norte, deste monumento ao pedreiro, encontramos um outro, muito mais antigo. Um arco em granito a que chamam Memorial. Diz a história e a lenda que este monumento marca a passagem do cortejo fúnebre da Rainha Santa Mafalda por este sítio quando se dirigia de Rio Tinto para Arouca.

Mas a história de Alpendorada não se resume à arte da pedra e ao Memorial da Rainha Santa Mafalda.

Aqui foi escrito o primeiro documento notarial, redigido em latim bárbaro, forma que viria a dar origem ao Português. Este documento tem a data de seiscentos e noventa.

Mas, a nível dos monumentos, o Mosteiro de Alpendorada é considerado não só o principal da terra mas o de toda esta região.

Entre a história e a lenda, sabemos que a primeira edificação teria sido da iniciativa do clérigo Velino,  nos meados do séc. XI, portanto ainda antes da fundação da nossa nacionalidade.

O Mosteiro de Alpendorada, até 1834, tornou-se numa das principais casas beneditinas a nível nacional.

Ligadas à memória desta casa estão as imensas rendas que o mosteiro recebia das inúmeras propriedades que possuía na região. Estes bens serviam para pagar os salários dos trabalhadores da quinta e ainda para socorrer os pobres que se abeiravam do abundante celeiro da casa.

A própria quinta tinha enormes pomares onde destacava a produção de laranja. O vinho verde e o azeite eram outros produtos. A azenha de quatro mós e o alambique, que ainda hoje se encontram no edifício, atestam a produção destes bens.

Depois de ter passado por diversas vicissitudes, principalmente depois de 25 de Abril de 1974, o Mosteiro de Alpendorada está hoje transformado numa unidade hoteleira que aproveita não só o edifício principal mas também outros distribuídos pela quinta.

Assim e de outros modos, se continua a escrever a história que contou, ao longo dos séculos, com a intervenção de nobres preponderantes na vida nacional, alguns deles também ligados às muitas lendas que povoam o imaginário popular ligado a este lugar. 

Resta acrescentar que o Mosteiro de Alpendorada  tinha uma das mais importantes bibliotecas do Reino que enriqueceu os arquivos distritais de Braga, Porto e ainda o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

 

 

 

 

07
Nov13

TOURO - VILA NOVA DE PAIVA

somdagente

Das Beiras ao Alto Douro

Com esta expressão brejeira

Quem quer casar na Cerdeira

Traz sua mulher ao Touro...

(Jorge P. Lages)

 

Touro é a sede de freguesia. Cerdeira, árvore que dá cerejas, é um lugar da mesma freguesia, situado junto à estrada que liga Vila Nova de Paiva a Tarouca.

E, com o nome da freguesia, o povo das redondezas brinca partindo de um segundo sentido que dá às palavras.

Em tempo de S. Martinho, o próximo programa de O Som da Gente é dedicado à freguesia do Touro onde, neste mês de Novembro, se realiza interessante feira, no renovado centro do lugar.

Depois de Alvite, continuamos na serra.

Junto ao moderno Centro Paroquial encontrámos o padre Acácio que aqui foi pároco, durante mais de 40 anos, cuidando das almas, dos corpos, das coisas e até dos animais desta gente.

Falou-nos da história da terra que em tempos também devia ser conhecida por vila do Prado e lembrou as muitas capelas e respectivos oráculos que marcam esta freguesia.

São muitos os dólmenes e outros vestígios pré-históricos que nos indicam o povoamento antiquíssimo destas paragens.

 

Junto à capela de S. Martinho, encontram-se diversas sepulturas antropomórficas e contam os habitantes do lugar que aqui vinham alguns habitantes de S. Martinho de Mouros , Resende, sepultar os seus mortos. E o terreno por eles pisado não dava pão nem grão...

 

Mais recente que a capela de S. Martinho, é a de Nosso Senhor da Boa sorte, situada em bonito parque arborizado, nas redondezas do lugar do Touro.

A esta capela está ligada outra lenda. Foi mandada construir por um negociante de Vila Nova de Paiva que, segundo se consta, por estas bandas se prendia em romances de amor.

Ainda mais recentemente, em frente da capela de Nosso Senhor da Boa Sorte, construiu-se uma escadaria, em granito, que termina numa cruz gigante no sopé da qual colocaram uma imagem, de nome desconhecido, que estava na igreja paroquial e à qual vieram a chamar de Nossa Senhora da Boa Sorte. Assim, de um lado o Senhor e do outro a Senhora.

 

O programa termina no lugar da Póvoa, povoação que no início do Sec. XX, tinha mais habitantes que a sede de freguesia.

Lugar de agricultura pobre, tradicionalmente um lugar de pastorícia de gado miúdo, que o padre Acácio conheceu com gente muito retraída em relação aos forasteiros.

Com a emigração e o acesso a outras culturas, também esta maneira de ser fria, no contacto, da gente serrana, foi mudando.

 

Hoje, o Touro, continuando instalada na natureza rude da serra, é uma povoação airosa. Infelizmente, como todas as terras do interior, com menos gente.

Apesar disso, em Novembro, no mês de S. Martinho, por aqui vai haver festa.

Fotos: Alcides Riquito

 

 

18
Out13

ALVITE

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Alvite é uma freguesia do concelho de Moimenta da Beira e tinha, em 2011, 1195 habitantes. Contrariando a tendência demográfica das terras do interior, a sua população chegou a aumentar nos últimos anos.

Foi recentemente elevada à categoria de vila.

Alvite situa-se no planalto da serra da Nave também conhecida por serra de Leomil.

Recebeu-nos no centro da aldeia a professora Modesta Figueiredo da Associação Gente da Nave.

 

No Largo da Tulha, a professora Modesta começa por nos falar da história de Alvite.

Embora a tradição oral diga que a povoação nasceu de uns casebres que pastores vindos da serra da Estrela aqui construíram, referências bibliográficas atestam que estas terras pagavam renda ao mosteiro de São João de Tarouca. Neste largo estaria a tulha para recolha destes bens e hoje, neste mesmo local, realiza-se, em Agosto, a Feira das Tradições.

Alvite tem uma agricultura muito própria. Aqui não se produz vinho nem azeite. A criação de gado e mais tarde a produção de batata, para semente, são aqui os principais frutos do trabalho da terra.

Esta cultura de batata de semente teve grande incremento nos últimos anos sendo a mesma guardada de um modo muito próprio, em silos construídos no solo.

Talvez as limitações da terra  para a agricultura tenham levado a maior parte dos habitantes de Alvite para o comércio.

Nesta actividade percorrem quase todo o país. Comercializam tudo mas o principal produto transaccionado é do ramo dos têxteis.Começaram por levar lã para as fábricas e a trazer cobertores. Agora, muitos são os produtos que passam de feira em feira ou levam porta a porta.

Marino Bernardino é um desses comerciantes e vai contar-nos algumas peripécias da sua vida que o levaram a calcorrear os caminhos da beira mar até à fronteira.

Para além da agricultura e do comércio, as actividades artesanais marcaram e marcam ainda a vida quotidiana de Alvite. O  Som da Genteteve a oportunidade de falar com o Sr. Joaquim Alexandre da Silva que continua a fazer a sua obra com matéria prima do local: a palha de centeio e a casca de silva.

Tivemos ainda oportunidade de falar com a Sra. Maria do Carmo Ribeiro que, à semelhança das suas avós, continua a tecer meias de lã enquanto caminha pelas ruas estreitas do lugar ou guarda o gado.

Na visita à Casa Museu de Alvite, a professor Modesta guiou-nos pelos rudimentares aposentos da casa. A sala é o principal aposento que servia também de quarto para dormir.

Ao lado, a cozinha era também um local muito frequentado e era aqui que se passavam os famosos serões nas noites longas do Outono e Inverno.

Ali está também a masseira que levedava o pão que ia cozer no forno comunitário, a roda para as peças de fumeiro e ainda o caniço onde secavam as saborosas castanhas.

Nas paredes, sem reboco,  estão pendurados quadros com os mais variados santos a quem o povo se achega nas horas de maior aflição.

Dentro da casa, tivemos ainda a  oportunidade de admirar as capas de Alvite e falar com o seu alfaite  Joaquim Ribeiro Novo que, para além de alfaiate encartado, foi também um dos barbeiros da terra.

Fotos: Alcides Riquito

 

 

02
Ago13

O MILAGRE DA URGUEIRA

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No início deste mês de Agosto, O Som da Gente volta a subir a encosta poente da serra do Caramulo.
Todos os anos, no 3º domingo deste mês, reconstitui-se, na Urgueira, a romaria a Nª Sª da Guia.
É a maior realização anual da Associação Etnográfica Os Serranos de Belazaima do Chão.
A povoação que conta apenas com cerca de dez pessoas residentes junta, neste dia, entre 3 a 4 mil visitantes.
É no parque de Nª Senhora da Guia, no Pico do Junqueiro, que se encontra o enorme forno comunitário e votivo, onde ainda hoje se presencia o chamado Milagre da Urgueira que consiste na entrada de um homem dentro do forno, aquecido à volta de 200 graus, para aí deixar a massa para uma broa gigante.
 Um dos homens que ultimamente tem entrado no forno é o Engº Manuel Farias que nos vai contar a história desta festa romaria e todo o ritual da cozedura do pão que, segunda a tradição e a crença, tem poderes sobrenaturais.
Fotos: Alcides Riquito
26
Jul13

ASTRONOMIA EM NEGRELOS

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O próximo programa de O Som da Gente vai ser um pouco diferente.

Vamos tentar pôr os ouvintes a ver estrelas através das ondas da Lafões.

Trata-se de uma reportagem sobre uma sessão de Aastronomia que decorreu em Negrelos no passado dia 18 de Julho.

Foi uma actividade inserida no programa Ciência Viva que vai fazendo experiências científicas na rua neste tempo de verão. O responsável pela actividade foi o Prof. Paulo Sanches do Clube das Ciências da Escola Básica e Secundária de Moimenta da Beira.

Com ele esteve o Dr. Bandeira Rodrigues da Associação Cultural e Recreativa de Negrelos que colabora pela segunda vez numa iniciativa do género.

A polulação local correspondeu à chamada e assim, desde o início da noite, puderam, através de potente equipamento observar estrelas, planetas e outros corpos que povoam o universo.

19
Jul13

SÃO MACÁRIO

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seS. Macário 009.jpg

No próximo programa de O Som da Gente, vamos passar, em reposição, o programa que gravámos, na freguesia de São Martinho das Moitas, em 2010, sobre a romaria a São Macário que se realiza, no alto com o mesmo nome, no último domingo de Julho de cada ano.

04
Jul13

MACIEIRA DE ALCÔBA

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Por montes e vales das nossas serras, O Som da Gente vai, no próximo programa, continuar a procurar lugares idílicos da nossa Beira.

Vamos descobrir a aldeia de Macieira de Alcôba, recolhida na meia encosta poente da serra do Caramulo.

Está no extremo leste do concelho de Águeda e, pela actual reforma administrativa das freguesias, Macieira de Alcôba vai unir-se à do Préstimo ficando assim o Pedro Daniel Henriques Rodrigues como o último Presidente da Junta de Macieira de Alcôba.

A partir dos vestígios pré-históricos que se encontram por aqui, podemos dizer que estas paragens têm ocupação humana desde os tempos pré-históricos.

As actuais fronteiras da freguesia situam-se temporalmente no início da nacionalidade como o comprovam os forais de D. Dinis e D. Manuel concedidos a esta terra.

Baseado nos referidos forais e nas publicações do abade João Domingos Arede, um macieirense que nunca foi pároco na sua freguesia, o nosso entrevistado, o Engº João Monteiro, falou-nos, em pormenor, da história da sua terra.

O nosso encontro foi na sede do Centro de Amizade Macieirense, fundado em 1972, que desde a sua fundação sempre se preocupou com o progresso e bem estar da gente de Macieira de Alcôba, a residente e a ausente.

Em 1960, a freguesia tinha 311 habitantes, hoje conta com oitenta e quatro. No entanto, o Centro de Amizade tem mais de trezentos associados.

O Centro Amizade Macieirense preocupa-se agora mais com a dinamização cultural. Assim, em 26 de Maio, levou a efeito o Concerto Internacional das Rosas com a participação do Coral Polifónico Candea (Orense) e o Orfeão de Recardães. A 1 de Junho, com o apoio do Agrupamento 141 de Santa Eulália de Águeda, do Corpo Nacional de Escutas, recrearam-se, em Macieira de Alcôba, os jogos tradicionais.

Depois de termos estado, na sede actual do Centro Amizade Macieirense, o Engº Monteiro levou-nos até à igreja matriz dedicada a S. Matrinho. Entrámos pela sacristia onde admiramos alguns azulejos sevilhanos que nos indicam a antiguidade deste tempo. Ainda neste local, podemos obersar a foto do padre José Luís Monteiro, o responsável pelas últimas grandes obras na igreja de Macieira de Alcôba.

Dentro da igreja, onde continua a perdominar o granito, quer nas paredes quer no chão, existe um púlpito com motivos manuelinos e uma escada de pedra feita em peça única.

No exterior e nas costas do altar mor, encontra-se a pedra dos funerais que servia de mesa para servir o pão aos forasteiros que aqui se dirigiam para acompanhar os familiares ou amigos até à última morada.

Mais acima, está a primeira escola primária da terra, desenhada por um macieirense que emigrou para o Brasil .Aí funciona hoje a sede da Junta de Freguesia de Macieira de Alcôba.

O Som da Gente não podia deixar Macieira de Alcôba sem subir ao Outeiro da Vila onde se observa interessante paisagem, com a igreja em primeiro plano. Aí também se encontra, desde os anos trinta do século passado, o segundo templo mais antigo do país dedicado a Nossa Senhora de Fátima.

Aliás, a imagem que se encontra no interior e que todos os anos sai em procissão, no mês de Agosto, é, segundo o escultor, a mais parecida com a virgem das aparições, na opinião da irmã Lúcia.

É assim, junto a esta imagem, que faz parte da história recente do povo de Macieira de Alcôba, que nos despedimos de um local único da encosta poente da serra do Caramulo.

Na verdade, há sempre um Portugal desconhecido que espera por nós.

Fotos: Alcides Riquito

06
Jun13

BODAS DE OURO DO RANCHO DE TORREDEITA

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Com outros trajes, outros pares e outros músicos, O Rancho Folclórico de Torredeita foi instituído há 50 anos naquela freguesia do concelho de Viseu.
Por todo o país, participou nas mais varidas festas, romarias e festivais. No estrangeiro, já esteve na Suíça, Suécia, Itália e na França e no Brasil por mais que uma vez.
Nestas presenças, em Portugal e no estrangeiro, os seus trajes, as suas danças e cantares têm recebido as mais variadas distinções.
 

No actual Rancho de Torredeita, o traje da mulher é simples e castiço. Destacam-se as finas saias de armur e de merino. A capucha de burel dá-lhe também um cunho distinto.

O homem usa chapéu de abas largas, camisa de linho e casaco ajaquetado. Nos pés sobressaem os tamancos, com testeira e brocha ou então os sapatos de atanado.

Nas danças e cantares, a musicalidade e pureza de atitudes revela cantares de intraduzível beleza e encantamento como nos apercebemos no tema Serraninha

Nas danças, há as de passo saltado, as relacionadas com o trabalho, temas suaves e doces e tem também chulas e danças de roda, elemento marcante da coreografia da região beiraltina.

Enquanto, nos trajes, representam grande parte da área geográfica da Beira Alta, as melodias e as danças são apenas fruto de uma recolha feita em Torredeita e Viseu.

 

Ora, é na razão dos cinquenta anos da actividade ininterrupta do Rancho Folclórico de Torredeita que o Prof. José António Santos Pereira vem até à antena da Rádio Lafões no próximo programa de O Som da Gente.

Desde criança que é acordeonista na tocata do grupo para onde entrou quando este ia apenas com cinco anos de actividade.

Oriundo de uma família de músicos, desde cedo se enquadrou neste espírito de gente unida e responsável que foi e é o Rancho de Torredeita.

No programa vai ter a oportunidade de nos falar da fundação do rancho, de algumas peripécias em viagens pelo estrangeiro e da sua última grande realização que foi a participação num espectáculo, no Teatro Viriato, em Viseu, na peça A Viagem, em que se conjuga a dança contemporânea com a dança folclórica.

De referir ainda que o comendador Arcides Simões, um dos fundadores do rancho, continua a ser o seu director artístico.

24
Mai13

OS SERRANOS

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A Associação Etnográfica Os Serranos, tem sede em Belazaima do Chão, concelho de Águeda e foi fundada em mil novecentos e noventa e quatro.

Tem por objecto a recolha, preservação e reposição do legado étnico e da cultura tradicional do povo serrano nomeadamente o da encosta ocidental do Caramulo.

Ainda antes da criação desta associação, os folcloristas Francisco Silva e Manuel Farias andavam , por estas paragens, a fazer recolhas de temas, peças e outras formas do nosso património cultural.

Na sequência do programa anterior, é com o Engº Manuel Farias que a Rádio Lafões vai falar sobre a vida actual da associação Os Serranos.

 
Para Os Serranos, dentro do panorama do folclore nacional, as danças e os cantares apenas servem como meio para contar as histórias da vida comunitária das aldeias serranas da serra do Caramulo. É também por esta prática que Os Serranos têm recebido as mais variadas distinções e feito digressões por todo o mundo especialmente por Espanha onde têm presenças regulares na região autónoma da Galiza.
 

Da actividade anual de Os Serranos, o Engº Farias falou ao Som da Gente das principais realizações que passam pela ceia serrana, em Novembro, os cantares de Natal no fim do ano, as Coroas de Maio, no início deste mês e pelo festival, em Junho, em que cada grupo assume a forma de representar e fazer de que já falámos.

No calendário de Os Serranos, aparece também como a sua maior realização, a reconstituição da romaria a Nª Srª da Guia, na Urgueira, em Agosto. É deste evento que prometemos falar num programa que prevemos emitir numa das próximas semanas.

17
Mai13

NA ENCOSTA POENTE DO CARAMULO

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 Neste Maio amarelo das flores de mimosa, das giestas e da carqueja; neste Maio do verde alface, matizado pelo vermelho escuro da urze, O Som da Gente, no próximo programa vai subir até ao alto do Caramulo onde, na encosta poente, à vista da ria de Aveiro, vai encontrar alguém que ama e cultiva a herança do nosso povo serrano de um modo sublime.

O Engº Manuel Farias, com formação académica, na área de electrotecnia, encontrou, na história e na antropologia, o hobby que lhe veio a preencher a alma de humanista.

O gosto pela leitura, a literatura e a escrita, que cultiva desde novo, têm-no levado à produção de obras que enquadram o homem e as suas circunstâncias.

Com grande admiração por José Leite de Vasconcelos e Teófilo Braga, tem vindo, nesta vertente da antropologia, a interpretar os ciclos, os pensamentos e as circunstâncias principalmente do homem caramulano.

Humanização de uma paisagem que vem desde a pré-história, como o confirmam alguns monumentos megalíticos, como é o caso da anta bem preservada de Paranho de Arca e as ermidas e capelas da idade média, espalhas pela serra. Por aqui passaram também os romanos que deixaram as suas estradas e os celtas que, no entender de Manuel farias, foram os que mais aproveitaram estes recursos naturais para a agricultura e pastorícia.

Estas marcas descobre-as o nosso entrevistado em cada caselho escondido na serra, no moinho que gira por fio de água ou nas veredas que a serpenteiam.

Este interesse pela história local levou-o também ao folclore, faceta que abordaremos na próxima semana quando falarmos da Associação Etnográfica Os Serranos de Belazaima do Chão.

No percurso desta semana, com o Engº Manuel Farias, percorreremos parte do Trilho das Terras de Granito que a Câmara de Águeda traçou na freguesia de Macieira de Alcôba.

Subiremos ao alto do Junqueio para sentir o vento alcobês que acaricia estas paragens depois de passar pelos vales verdes do Baixo Vouga ou pelos vinhedos da Bairrada.

À vista do Caramulinho, desceremos depois ao miradouro da Rochinha onde podemos observar toda a parte sul e poente da serra do Caramulo.

 

Lá para finais de Julho ou princípios de Agosto voltaremos ao pico do Junqueiro para falar da reconstrução de uma romaria do Séc.XIX e do milagre da Urgueira em que um homem entra num forno a duzentos graus, aí deposita a massa para uma broa gigante, e regressa são e salvo.

Mais do que lenda, é história, é realidade. O homem que tem entrado no forno, nos últimos anos, é o nosso entrevistado, o Engº Manuel Farias.

Para o auditório da Lafões fica prometida esta reportagem. E, como nas romarias, as promessas são para cumprir.

Fotos: Alcides Riquito

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