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O SOM DA GENTE

O SOM DA GENTE

19
Set14

A SOBREVIVENTE

somdagente

 

No passado sábado, 13 de Setembro, no Centro de Cultura de Castro Daire, a escritora Aurora Simões de Matos apresentou o seu último livro.

Trata-se de uma biografia ficcionada de Maria do Céu Trindade, que faleceu no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Castro Daire, em Novembro de 2012, com perto de 110 anos.

Este livro aborda ainda os direitos e deveres da mulher no mundo rural do século vinte.

 

A propósito do lançamento deste último livro de Aurora Simões de Matos, a Rádio Lafões, nos noticiários da passada sexta-feira, divulgou o programa da apresentação que teria lugar, no dia seguinte, em Castro Daire.

No próximo Som da Gente, a autora, em entrevista, via telefone, vai falar do livro e divulgar alguns pormenores da vida longa da tia Maria do Céu.

Musicalmente será também passada alguma música com letras de dois poemas da Aurora musicados por Gervásio Pina.

Fotos do Facebook da escritora

28
Ago14

RERIZ - ADEGA MUSEU

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Reriz  faz hoje parte da União das Freguesias de Reriz e Gafanhão.

É uma terra com história. D. Dinis ter-lhe-á concedido a primeira carta de foral. Em 1514, faz portante este ano 500 anos,  o rei D. Manuel Iconcedeu-lhe foral novo. Um trabalho sobre este documento foi recentemente publicado na conceituada revista Beira Alta.

 

Num dos largos da parte antiga da aldeia, hoje com o nome de Paquetá, está hoje o pelourinho restaurado.

Neste sítio estaria também a cadeia e a casa dos paços do concelho do extinto concelho de Reriz.

 

Foi também, neste largo, que a Rádio Lafões se encontrou com D. Lúcia Moreira que, embora tenha nascido na vizinha freguesia de Alva, para aqui veio menina e moça.

 

Culturalmente a vida da Lúcia está mais ligada ao folclore. Em 1971, a sua foto, etnograficamente trajada a rigor, ocupou, por inteiro, o cartaz da Feira de S. Mateus.

 

Lúcia Moreira foi casada com António Argentino que para além de ter sido Presidente da Junta de Reriz, era um homem do teatro, da música, do cinema, enfim, da cultura.

No campo da música, ajudou a criar a Bandinha Barnabé, um grupo com nome na animação dos bailes das redondezas. António Argentino era o chamado homem dos sete instrumentos por tocar diversos, desde o acordeão ao saxofone.

Para além de todas estas facetas, no campo das artes, António Argentino Lacerda de Oliveira, criou enorme gosto pelo coleccionismo.

Converteu a adega da sua habitação num autêntico museu onde estão milhares de objectos que transportam milhentas recordações.

Garrafas, isqueiros, armas, objectos dos correios, máquinas de fotografar e filmar, fotos, slides, filmes e livros que recordam principalmente o gosto de António Argentino pelo teatro e pelo cinema.

Ultimamente amigos e visitantes têm entregue à Lúcia mais objectos que têm lotado os espaços que já são pequenos para guardar tamanho acervo.

Assim, D. Lúcia aguarda que as entidades lhe dêem uma mão na construção de um novo espaço onde estas peças possam ser preservadas, guardadas e catalogadas.

Por vontade do seu saudoso marido, este espaço teria que ser em Reriz, terra que deve ter orgulho no nome de um dos seus filhos mais premiados no campo da cultura, como o atestam muitos documentos que se encontram nesta adega museu.

21
Mai14

X ENCONTRO CULTURAL DE SÃO CRISTÓVÃO DE LAFÕES

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Ao encontro de histórias e património, decorreu, no passado fim-de-semana, no Mosteiro de São Cristóvão de Lafões o décimo encontro cultural.

A organização esteve a cargo da Associação dos Amigos do Mosteiro de São Cristóvão de Lafões e do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu.

No encontro deste ano, estiveram em debate propostas em torno de temáticas monásticas que ajudam a perceber o fenómeno do monaquismo à luz das memórias, pela escrita e pela obra de arquitectura.

No primeiro painel foram oradores o Prof. Doutor António Resende Oliveira, da Universidade de Coimbra, e o Prof. Doutor José Augusto Pizarro, da Universidade do Porto.

Na foto, os dois conferencistas ladeiam a Profª Doutora Maria Alegria Marques da Comissão Cientifica do encontro.

O primeiro orador abordou o tema: o trovador e o monge - a Ordem de Cister nos círculos trovadorescos galego-portugueses.

Depois,José Augusto Pizarro, discípulo de José Mattoso e de Luís Adão da Fonseca, um nome consagrado na investigação da nossa História Medieval, falou das Monjas e Filhas d`Algo - a aristocratização do monacato feminino nos séculos XIII e XIV.

 

Ainda na sexta-feira, os congressistas ouviram falar do cronista Frei Manuel dos Santos, monge cisterciense de Alcobaça e, da parte da tarde, foram até ao Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão que se encontra em estado de conservação muito preocupante.

Na manhã de sábado, falou-se dos sítios e da obra monástica no património português, com a Doutora Luísa Jacquinet, o arquitecto João Carlos dos Santos e a Profª Doutora Inês Amorim.

Fotos:Alcides Riquito

 

16
Mai14

...

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José Figueiredo Martins nasceu na freguesia de S. Félix, concelho de S. Pedro do Sul, em 1942.

Filho de família numerosa, desde novo foi para o comércio. Primeiro como caixeiro e depois como empresário.

Nesta área, foi emigrante no Congo Belga, hoje República Democrática do Congo.

É da sua história de vida, com destaque para os anos que passou em África, que nos vai falar no próximo programa de O Som da Gente.

 

A par da sua vida profissional, ligada ao comércio, a música foi uma paixão que sempre o acompanhou.

Aprendeu o solfejo com o Sr. Manuel Oliveira, de Vila Nova, também na freguesia de S. Félix.

Um bandolim com mais de cem anos é o seu instrumento de corda preferido e, nos últimos meses, vem também dedicando algum tempo à prática do órgão.

30
Abr14

MUSEU DO QUARTZO

somdagente

 

 

De 1961 a 1986, a Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos de Canas de Senhorim explorou quartzo  no monte de Santa Luzia, a norte da cidade de Viseu.

Desta exploração resultou um enorme rasgão na paisagem com impacto ambientalmente negativo.

Ficou assim uma pedreira abandonada pela empresa sem que esta tivesse procedido a qualquer trabalho de requalificação.

De qualquer modo, o escarpado deixado pela exploração revela um grande filão de quartzo leitoso como outros que se encontram no nosso país.

Partindo de tudo isto, a Câmara Municipal de Viseu solicitou ao Museu Nacional de História Natural, da Universidade de Lisboa, um projecto para a valorização deste sítio de modo a transforma-lo num geomonumento.

O edifício da autoria do arquitecto Mário Moutinho, ocupa uma área de 1240 metros quadrados.

O museu  foi inaugurado em 30 de Abril de 2012, tem entrada livre e está aberto, de terça a domingo das 10 às 12 e da 14 às 17 horas.

 

A este museu está ligado, desde o início, o nome do geólogo Galopim de Carvalho.

Este professor universitário, licenciado em ciências geológicas e doutorado em Ggeologia é também conhecido como o avô dos dinossauros.

Sobre a história de vida desta personalidade vale a pena aqui referir o que se pode ler na Wikipédia. Este homem já fez de tudo. Foi aprendiz de sapateiro, caixeiro, ferrador de cavalos, alimentou leões em circo, vendeu material de escritório e foi delegado de informação médica.

Hoje realçamos o seu nome como personalidade ligada à defesa do nosso património cultural e científico.

 

Mais jovem que o professor Galopim de Carvalho e também naturalmente com outra história de vida, mas também ela ligada a estas coisas dos minerais, é a Engª Susana Andrade,  a actual Directora do Museu do Quartzo.

Com ela, o auditório da Lafões vai percorrer o museu no próximo programa de O Som da Gente.

 

Nessa visita, e nos seis núcleos da exposição permanente do museu, é abordada a Terra como fonte de quartzo, o filão deste mineral no monte de Santa Luzia, o quartzo no tempo e na história, as propriedades dos minerais e uma interessante colecção de quartzos vindos dos mais variados e longínquos sítios da Terra.

No primeiro piso há um lugar dedicado aos mais pequenos - Rochas Rochinhas , Minerais e Miúdos - onde as crianças, desde a idade do pré-escolar, podem fazer jogos e realizar algumas experiências.

Ainda neste piso, temos a representação das partes principais de uma habitação, destacando a presença das rochas e minerais nos mais diversos equipamentos do nosso dia a dia.

 

Também este piso é destinado às exposições temporárias onde nesta altura se encontram as rochas que marcam o solo e o subsolo de Portugal.

Fotos:Alcides Riquito

28
Fev14

DO VOUGUINHA À ECO PISTA

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A propósito dos cem anos do Vale do Vouga, a Câmara Municipal de S. Pedro do Sul organizou, no Cine Teatro daquela cidade, uma série de palestras sobre a efeméride e também sobre o projecto da eco pista que vai ocupar a antiga llinha ferroviária que ligava Viseu a Espinho ou a Aveiro.

Na primeira parte desta sessão, usou da palavra o historiador Daniel de Melo e o Arquitecto João Rocha em representação da REFER Património que se debruçou sobre o tema: Plano Nacional de Eco pistas - Lugares da História / Locais com histórias.

A seguir ao intervalo foi projectado um in filme sobre a linha do Vale do Vouga com depoimentos de pessoas que trabalharam na CP e de outras que utilizaram regularmente este comboio da via estreita do Vale do Vouga.

 

Na segunda parte da palestra, usaram da palavra o Arquitecto Miguel Pereira e o Dr José Carlos Almeida, em representação da CIM Dão Lafões, a entidade responsável pela futura eco pista do Vouga e que actualmente gere a  do Dão.

A propósito da ecopista do Vale do Vouga, podemos dizer que esta, no que concerne ao concelho de Sever do Vouga, já é uma realidade.

Foi sobre esta obra, que tem como ex-libris a lindíssima ponte de S. Tiago, que veio falar o Prof. António Coutinho, Presidente da Câmara daquele concelho.

Encerrou a sessãoa Dra Teresa Sobrinho, como anfitriãe vereadora do Pelouro da Educação e Cultura da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul.

É destas palestras sobre o aproveitamento do canal da extinta linha do Vale do Vouga que se vai ocupar O Som da Gente no próximo programa.

21
Fev14

100 ANOS DO VALE DO VOUGA

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A 5 de Fevereiro de 1914, com a abertura do troço entre Vouzela e Bodiosa, conclui-se a Linha do Vale do Vouga.

Neste troço, ficava a estação de S. Pedro do Sul, na foto, local onde hoje funciona uma cooperativa local ligada à gastronomia e ao artesanato.

 

Assim, os comboios e as automotoras desta linha marcaram também a vida social de S. Pedro do Sul durante cerca de sete décadas do século passado.

Registamos aqui as principais datas que marcaram as diferentes etapas da construção da linha estreita do Vale do Vouga.

A 8 de Setembro de 1911, abriu o troço entre Albergaria e Macinhata do Vouga e ainda o ramal de Aveiro. O troço entre a Sernada e Rio Mau, entrou ao serviço em 5 de Maio de 1913.

A 5 de Setembro do mesmo ano, abriu a linha entre Viseu e Bodiosa e, em 4 de Novembro seguinte, o Vale do Vouga veio de Rio Mau até Ribeiradio. A 30 de Novembro de 1913, chegou a Vouzela.

O último troço, entre Vouzela e Bodiosa, foi inaugurado a 5 de Fevereiro de 1914.

A propósito desta data, a Câmara de S. Pedro do Sul está a levar a efeito um programa comemorativo que consta de uma exposição alusiva, nos Paços do Concelho, uma conferência temática a realizar no Cine Teatro, na tarde de amanhã, e com duas caminhadas no Domingo pela antiga linha do caminho de ferro.

No final destas caminhadas, na estação de S. Pedro do Sul o escritor dramaturgo Jaime Gralheiro dirige uma encenação teatral recordando o Vouguinha.

 

Na exposição, que está patente na Câmara Municipal, podemos ver, entre muitas fotografias e alguns adereços ligados à Linha do vale do Vouga, a farda do último chefe da estação de S. Pedro do Sul.

Armando Ribeiro que conta agora 71 anos, foi o último chefe da estação ferroviária de S. Pedro do Sul.

É o próximo entrevistado de O Som da Gente.

Se o comboio ainda circulasse por aqui, o último chefe da estação, podia continuar admirá-lo da sua residência, em Negrelos, sobranceira à extinta via, onde ainda hoje dois curtos carris e uma vagoneta a recordam para os vindouros.

 

Começou agora a falar-se de uma nova ligação ferroviária entre Viseu e Aveiro com continuação para Vila Formoso.

Seria, sem dúvida, a melhor prenda, nos 100 da antiga Linha do vale do Vouga.

Sabemos que as características montanhosas do terreno não são muito favoráveis ao traçado de uma via férrea. No entanto, também sabemos que hoje há novas e boas soluções no âmbito da engenharia ferroviária.

Haja dinheiro e vontade.

 

E, se a nova via ferroviária necessitar de viadutos, que os façam tão bonitos como as pontes da antiga linha que ainda hoje se podem admirar no Poço de Santiago, em Pessegueiro do Vouga, ou no Pego, em Drizes, por exemplo.

 

Por agora, fica a saudade do nosso Vouguinha da via estreita que levou e trouxe muitos militares, guardou lindas de amor, no vagão do correio, levou muita castanha patra o litoral e alombou, Vouga acima, muitas rasas de sal.

O comboio acabou mas a exuberante paisagem que Correia de Oliveira tão bem cantou aí continua, à espera que o homem dela se aproveite, no respeito que sempre a mãe natureza pede, muitas vezes exige e, por vezes, obriga.

 

Fotos:Alcides Riquito

14
Fev14

ZAATAM

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Em:http://grupozaatam.blogs.sapo.pt/

Como se pode ler no seu sítio, na internet, o Zaatam é um grupo de recolha e divulgação da música popular portuguesa, em especial da música tradicional do concelho do Sátão e da região, em que este concelho está inserido.
Ao longo dos dezoito anos em que está em actividade, o grupo conta com um número assinalável de actuações na região e no país, assim como também fez seis deslocações a França.
Na RTP, participou no programa Praça da Alegria, em 2001 e em 2004, e ainda no programa "Há Volta", em Agosto de dois mil e oito.
Lançou o primeiro trabalho, em CD, em 2001. A este trabalho deram o nome "Da Minha Terra".
Em Junho de 2008, publicaram um CD duplo, comemorando o décimo aniversário.
Este trabalho, que tem por título "De Porta em Porta", comporta um cd com Cantares de Reis e Janeiras e outro com outras canções de recolha, na sequência do primeiro trabalho.
Assim, a banda musical do próximo Som da Gente é suportada na totalidade pelo Zaatam.
 

Foto: Alcides Riquito

Para além da música do Zaatam, no programa desta semana, voltam a estar em destaque os principais monumentos religiosos da freguesia de Ferreira de Aves principalmente o Convento de Santa Eufémia e a Igreja e Convento do Santo Cristo Crucificado da Fraga.

Na abordagem à história desta igreja, socorremo-nos de interessante obra do historiador Alexandre Alves que foi, durante muitos anos, director da prestigiada revista Beira Alta.

Para além do rigor histórico sobre os factos, a escrita deste autor é deveras envolvente e saborosa.

06
Fev14

FERREIRA DE AVES

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Ferreira de Aves é uma das maiores freguesias não só do concelho do Sátão mas também do próprio distrito de Viseu.

Terá herdado o nome de umas minas de ferro aqui exploradas pelos romanos.

Tem à volta de 2500 habitantes que se espalhm por uma área de cerca de 16 quilómetros quadrados.

Foi vila e sede de concelho entre 1126 e 1836.

D.Teresa concedeu-lhe foral, no início do Sec. XII, e mais tarde, o D. Manuel I veio a conferir-lhe a mesma honra como se prova pelo pelourinho que ainda hoje se pode admirar na povoação do Castelo.

É um pelourinho de estilo manuelino assente em quatro degraus quadrangulares com coluna monolítica de base quadrada e um fuste de secção oitavada. No capitel e pináculos podem observar-se algumas decorações com motivos vegetalistas.

Junto a este pelourinho pode ver-se também uma pedra, em graníto, com a escultura , em alto relevo, de duas aves.

Entre as diversas personalidades ligadas a Ferreira de Aves, destacamos Diogo Lopes Pacheco o único assassino de D. Inês que conseguiu fugir à fúria de D. Pedro e ainda o do primeiro bispo da diocese da Guarda quando esta mudou o paço episcopal da Idanha para a cidade mais alta de Portugal, D. Martinho Pais.

Ferreira de Aves, para além de contar inúmeras povoações, tem um extenso rosário de igrejas, capelas e ermidas, dispersas pelos três vales que marcam a paisagem da freguesia.

A igreja matriz de Ferreira de Aves, a única da diocese que tem como patrono o mártir Santo André, é de origem românica, teve a principal modificação no Sec. XVIII e encontra-se em bom estado de conservação.

Dá nas vistas, na parede do lado nascente, um portal românico com duas arquivoltas, capitéis e ábacos ornamentados com motivos vegetais e animais.

Numa das colunas do lado esquerdo desta porta, está marcado, em baixo relevo, uma medida de comprimento onde os mestres aferiam os instrumentos de medida.

No interior, notam-se gigantescas colunas em granito que suportam interessante tecto em madeira.

Num altar do lado direito, podemos ver uma imagem de Nossa Senhora resgatada da igreja do Convento da Fraga quando esta, na sequência da implantação da República, foi vendida a particulares.

Perto da povoação de Lamas, a mais comercial e desenvolvida da freguesia, num lugar idílico, junto a uma linha de água que as chuvas deste Inverno trazem de monte a monte, perto do lugar da Veiga, encontramos uma lindíssima igreja que, outrora, fazia parte do extinto Convento de Santa Eufémia

Este convento, de religiosas beneditinas, foi fundado, ao que parece, no longínquo ano de mil cento e onze.

Nas redondezas, ainda se vão lembrando os magníficos doces que as monjas aqui cozinhavam e algumas receitas chegaram aos dias de hoje.

O Convento de Santa Eufémia viria a ser extinto, em 1891, data em que faleceu a última religiosa professa.

Na parte este da freguesia de Ferreira de Aves, junto ao Vouga, que nasce, ali pertinho, na Lapa, impõe-se na paisagem o santuário do Senhor Santo Cristo da Fraga.

Em 1741, dois homens procuravam, na encosta da serra, uma pedra para uma mó de moinho. Achando uma que consideravam adequada,  quiseram moldá-la a poder de pico. Ao verem que os golpes eram sempre repelidos, afastaram a urgueira e diante dos seus olhos revelou-se uma imagem de Cristo crucificado, com dois palmos e meio de altura.

Isto não é lenda, é história.

Divulgado este invulgar achado, os romeiros, em grande número, começaram a acorrer ao lugar.

A partir da primeira capela edificou-se uma grande igreja integrada num convento entregue aos Capuchos de S. Francisco.

A esta primeira obra está ligado o nome do Cónego Agostinho Nunes de Sousa da Sé de Viseu.

Os frades do Convento da Fraga, apara além da caridade, dedicavam-se ao ensino, como aconteceu com os Missionários Claretianos, uma das últimas ordens a passar por aqui.

Do antigo convento restam apenas duas paredes e sabemos que as pedras do claustro estão no Museu do Caramulo, onde O Som da Gente também já fez reportagem.

Neste convento, residiu  Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo autor do célebre Elucidário e referido por Aquilino Ribeiro no livro Geografia Sentimental.

 

À recuperação da igreja do Senhor Santo Cristo da Fraga, como à do Convento de Santa Eufémia, está ligado o nome do padre Nuno Amador, pároco de Ferreira de Aves, há mais de quarenta anos, que, num espírito empreendedor, por vezes, quase aventureiro, conseguiu que os principais monumentos religiosas da freguesia estejam no bom estado em que hoje se se encontram .

Agradecemos ao padre Nuno a simpatia com que nos recebeu. Numa terra onde, como pudemos comprovar, os paroquianos admiram e acarinham o pastor que têm à frente da sua Igreja.

Fotos:Alcides Riquito

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