25 de Outubro de 2014

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Foto: https://www.facebook.com/#!/vitor.figueiredo.9028?fref=ts

O Som da Gente desta semana é preenchido com partes significativas do espectáculo do 30º aniversário do Alafun que decorreu no Cineteatro Jaime Gralheiro, em S. Pedro do Sul, no passado dia 11 de Outubro.

publicado por somdagente às 13:25
16 de Outubro de 2014

 

 

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 Sempre na companhia de José Manuel Nunes Campos, deixámos a aldeia raiana de Foios e atravessámos a fronteira em Navasfrías,na comunidade autónoma de Castela e Leão, onde se situa um posto da rede de observação da Agência Estatal de Meteorologia.

Virámos à direita em direcção a Valverde del Fresno. O nosso guia caracterizou esta terra como um grande porto de mar devido à grande afluência de gentes que para aqui se dirigia para fazer as suas transacções comerciais.

Era para aqui que as mulheres e raparigas de Foios traziam leite levando depois para Portugal o azeite ou o vinho que aqui se produz devido a um microclima, quase mediterrânico.

Era também nos carreiros destas encostas que se fazia o contrabando, o de subsistência e o do negócio mais graúdo que começou com o volfrâmio e, ultimamente, passou ao café e às máquinas de costura.

Muitos eram os trilhos que, principalmente à noite, os contrabandistas percorriam fugindo à vigilância da guarda civil espanhola e à fúria da guarda fiscal portuguesa. Empurrados para situações difíceis que, muitas vezes levavam a acidentes com riscos para a própria vida.

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Valverde del Fresno com Eljas e San Martin de Trevejo formam um trio de aldeias espanholas da raia onde a economia local girava à volta do contrabando.

Pertencem todas à província de Cáceres da Comunidade Autonómica da Extremadura. É aqui que se fala o mañego, idioma da família das línguas galaico-portuguesas e que aqui chamam a Fala.

San Matin de Trevejo tem um lindo centro histórico, com a sua praça maior e, durante todo o ano, por aqui corre, a céu aberto, um rego de água que vai mudando de rua para rua.

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O Prof. José Manuel Campos sente-se aqui como nos Fois, a sua terra portuguesa.

É saudado e acarinhado como de um irmão espanhol se tratasse. Num dos bares de San Martin encontrou um velho amigo que outrora foi motorista do general Franco.

Franco que, ao contrário de Salazar, nunca fechou as fronteiras à emigração.

A emigração a salto, outro género de contrabando, que enriqueceu muitos passadores portugueses e espanhóis, foi o último assunto abordado pelo amigo Zé Manel neste Som da Gente que dedicamos ao contrabando.

Fotos:Alcides Riquito

 

publicado por somdagente às 11:04
10 de Outubro de 2014

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O contrabandista carregando o seu macuto, a mochila, e o emigrante de, mala aviada, saindo pela linha da Beira Alta, em direcção a França, são hoje as marcas dos últimos tempos desta freguesia da raia que é Foios.

Esta freguesia do concelho do Sabugal, com 25 quilómetros quadrados de superfície e 362 habitantes, tem a origem do seu nome nas armadilhar feitas para apanhar lobos, segundo a Wikipédia.

Na visão do nosso entrevistado, José Manuel Campos, que aqui foi professor e presidente de junta durante cerca de 30 anos, a origem do nome tem a ver com o fabrico do carvão que se fazia por estas bandas. Foios seriam as covas onde se queimava o carvão. Nos dois casos, parece ser consensual que a palavra foios deriva de fojos, em que o j deu lugar ao i.

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Foios é uma aldeia recente. Contará cerca de três séculos.

Rapidamente passou de um subdesenvolvimento para um progresso em que um lar de idosos e um moderno centro cívico, com um bem equipado auditório e posto médico, se destacam. 

Este edifício adoptou o nome de Centro Cívico Nascente do Côa e, a este propósito, uma das salas é dedicada ao Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa que foi construído em Vila Nova de Foz Côa.

O visitante pode também aqui encontrar algumas peças ligadas aos trabalhos agrícolas e ao fabrico artesanal de queijo de cabra.

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O largo onde se encontra o centro cívico de Foios é o local que, em Agosto, se transforma num campo de tourada onde se faz a capeia, um espectáculo taurino típico nestas aldeia raianas.

Numa pedra, trabalhada em baixo relevo, que se pode ver no local, ali está o touro e o célebre forcão feito, em paus de carvalho, que os rapazes  da terra vão buscar a Naves Frias por obsequio do amigo alcaide.

Com este gigantesco artefacto, o grupo de rapazes, enfrenta as investidas do touro para alegria das muitas centenas de pessoas que em Agosto trazem outra vida e outro movimento à aldeia.

Foios está geminada com a povoação de Eljas que fica do outro lado da fronteira. Durante o ano, são muitos os momentos de convívio entre as gentes raianas de Portugal e Espanha. No próximo dia 8, realiza-se no largo principal de Foios, um grande magusto com os de Foios a dar as castanhas e os de Eljas a trazer o vinho.

Na véspera, umas jornadas micológicas distinguem os cogumelos silvestres que nesta época se vão também encontrando por aqui.

Depois de nos falar da sua terra e dos tempos difíceis no passado recente da sua gente, o amigo José Manuel Campos vai continuar com o auditório da Rádio Lafões para, na próxima semana, nos falar de contrabando, de contrabandistas e da emigração a salto.

Fotos: Alcides Riquito

 

 

publicado por somdagente às 11:34
03 de Outubro de 2014

 

Antoine Tavares

Pelo nome nos apercebemos que este jovem empresário, é filho de um dos primeiros casais dos Foios que fez vida, em França, nos primeiros tempos da emigração para a Europa.

 É o responsável por um interessante empreendimento piscícola e turístico, a Trutalcoa.

Ele próprio esteve também emigrado na Suíça mas o seu gosto por Portugal, e pela terra que o viu nascer, levou-o a este projecto que já conta com mais de trinta anos.

Embora seja uma vida muito presa, sem domingos e feriados, é aqui numa bucólica paisagem, na margem esquerda do Côa, a escassos quilómetros da nascente, que o amigo Antoine se sente bem.

Depois, na grande simpatia que revela em relação a quantos o visitam e no convívio com bom grupo de amigos encontra os ingredientes necessários para uma vida feliz. 

 Para além de três grandes tanques onde milhares de trutas se desenvolvem, este empreendimento tem uma lagoa onde os visitantes se podem entreter à pesca. Assim, miúdos e graúdos praticam este saudável desporto, mesmo os que nunca sonharam pescar. Nem precisam de levar cana. O amigo Antoine fornece cana, isco e cesto. Só pagam o peixe que levam para casa

E com tudo isto, os mais pequenos, muitas vezes renitentes a comer peixe, até começam a mudar alguns hábitos numa alimentação tradicionalmente mais orientada para a carne.

E a imaginação do empresário não se ficou pela pesca desportiva. Ao lado dos tanques adaptou uma máquina de brindes em que a surpresa está num saquinho de ração para o peixe. Assim, os mais novos para além de deixarem uma moeda na máquina, vão dando a comida às trutas. Pagam para ajudar no trabalho da truticultura ao mesmo tempo que se regalam a ver, num palanque próprio, a truta arco-íris a saltar ao isco.

Um restaurante panorâmico sobre todo este complexo completa a ideia que os amigos Antoine e José Maria tiveram para transformar este lugar, vulgar na paisagem raiana, num sítio acolhedor para portugueses e espanhóis.

Embora neste restaurante também se sirva carne ou bacalhau, são os pratos à base de truta que dominam a ementa: truta de escabeche, truta grelhada, truta no forno ou filetes de truta, tudo aqui se pode provar e degustar.

Assim resta ao leitor deste blogue e ao ouvinte de O Som da Gente passar o Sabugal e, em direcção à fronteira, antes de Foios, aqui permanecer, nem que seja por um dia, neste belo recanto, ao lado do rio Côa, gémeo do Águeda que, correndo em Espanha, vai encontrar o Douro, perto do Pocinho, não muito longe da foz deste mesmo Côa.

Fotos: Alcides Riquito

publicado por somdagente às 10:51
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