28 de Fevereiro de 2014

A propósito dos cem anos do Vale do Vouga, a Câmara Municipal de S. Pedro do Sul organizou, no Cine Teatro daquela cidade, uma série de palestras sobre a efeméride e também sobre o projecto da eco pista que vai ocupar a antiga llinha ferroviária que ligava Viseu a Espinho ou a Aveiro.

Na primeira parte desta sessão, usou da palavra o historiador Daniel de Melo e o Arquitecto João Rocha em representação da REFER Património que se debruçou sobre o tema: Plano Nacional de Eco pistas - Lugares da História / Locais com histórias.

A seguir ao intervalo foi projectado um in filme sobre a linha do Vale do Vouga com depoimentos de pessoas que trabalharam na CP e de outras que utilizaram regularmente este comboio da via estreita do Vale do Vouga.

 

Na segunda parte da palestra, usaram da palavra o Arquitecto Miguel Pereira e o Dr José Carlos Almeida, em representação da CIM Dão Lafões, a entidade responsável pela futura eco pista do Vouga e que actualmente gere a  do Dão.

A propósito da ecopista do Vale do Vouga, podemos dizer que esta, no que concerne ao concelho de Sever do Vouga, já é uma realidade.

Foi sobre esta obra, que tem como ex-libris a lindíssima ponte de S. Tiago, que veio falar o Prof. António Coutinho, Presidente da Câmara daquele concelho.

Encerrou a sessãoa Dra Teresa Sobrinho, como anfitriãe vereadora do Pelouro da Educação e Cultura da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul.

É destas palestras sobre o aproveitamento do canal da extinta linha do Vale do Vouga que se vai ocupar O Som da Gente no próximo programa.

publicado por somdagente às 15:23
21 de Fevereiro de 2014

A 5 de Fevereiro de 1914, com a abertura do troço entre Vouzela e Bodiosa, conclui-se a Linha do Vale do Vouga.

Neste troço, ficava a estação de S. Pedro do Sul, na foto, local onde hoje funciona uma cooperativa local ligada à gastronomia e ao artesanato.

 

Assim, os comboios e as automotoras desta linha marcaram também a vida social de S. Pedro do Sul durante cerca de sete décadas do século passado.

Registamos aqui as principais datas que marcaram as diferentes etapas da construção da linha estreita do Vale do Vouga.

A 8 de Setembro de 1911, abriu o troço entre Albergaria e Macinhata do Vouga e ainda o ramal de Aveiro. O troço entre a Sernada e Rio Mau, entrou ao serviço em 5 de Maio de 1913.

A 5 de Setembro do mesmo ano, abriu a linha entre Viseu e Bodiosa e, em 4 de Novembro seguinte, o Vale do Vouga veio de Rio Mau até Ribeiradio. A 30 de Novembro de 1913, chegou a Vouzela.

O último troço, entre Vouzela e Bodiosa, foi inaugurado a 5 de Fevereiro de 1914.

A propósito desta data, a Câmara de S. Pedro do Sul está a levar a efeito um programa comemorativo que consta de uma exposição alusiva, nos Paços do Concelho, uma conferência temática a realizar no Cine Teatro, na tarde de amanhã, e com duas caminhadas no Domingo pela antiga linha do caminho de ferro.

No final destas caminhadas, na estação de S. Pedro do Sul o escritor dramaturgo Jaime Gralheiro dirige uma encenação teatral recordando o Vouguinha.

 

Na exposição, que está patente na Câmara Municipal, podemos ver, entre muitas fotografias e alguns adereços ligados à Linha do vale do Vouga, a farda do último chefe da estação de S. Pedro do Sul.

Armando Ribeiro que conta agora 71 anos, foi o último chefe da estação ferroviária de S. Pedro do Sul.

É o próximo entrevistado de O Som da Gente.

Se o comboio ainda circulasse por aqui, o último chefe da estação, podia continuar admirá-lo da sua residência, em Negrelos, sobranceira à extinta via, onde ainda hoje dois curtos carris e uma vagoneta a recordam para os vindouros.

 

Começou agora a falar-se de uma nova ligação ferroviária entre Viseu e Aveiro com continuação para Vila Formoso.

Seria, sem dúvida, a melhor prenda, nos 100 da antiga Linha do vale do Vouga.

Sabemos que as características montanhosas do terreno não são muito favoráveis ao traçado de uma via férrea. No entanto, também sabemos que hoje há novas e boas soluções no âmbito da engenharia ferroviária.

Haja dinheiro e vontade.

 

E, se a nova via ferroviária necessitar de viadutos, que os façam tão bonitos como as pontes da antiga linha que ainda hoje se podem admirar no Poço de Santiago, em Pessegueiro do Vouga, ou no Pego, em Drizes, por exemplo.

 

Por agora, fica a saudade do nosso Vouguinha da via estreita que levou e trouxe muitos militares, guardou lindas de amor, no vagão do correio, levou muita castanha patra o litoral e alombou, Vouga acima, muitas rasas de sal.

O comboio acabou mas a exuberante paisagem que Correia de Oliveira tão bem cantou aí continua, à espera que o homem dela se aproveite, no respeito que sempre a mãe natureza pede, muitas vezes exige e, por vezes, obriga.

 

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 11:29
14 de Fevereiro de 2014

Em:http://grupozaatam.blogs.sapo.pt/

Como se pode ler no seu sítio, na internet, o Zaatam é um grupo de recolha e divulgação da música popular portuguesa, em especial da música tradicional do concelho do Sátão e da região, em que este concelho está inserido.
Ao longo dos dezoito anos em que está em actividade, o grupo conta com um número assinalável de actuações na região e no país, assim como também fez seis deslocações a França.
Na RTP, participou no programa Praça da Alegria, em 2001 e em 2004, e ainda no programa "Há Volta", em Agosto de dois mil e oito.
Lançou o primeiro trabalho, em CD, em 2001. A este trabalho deram o nome "Da Minha Terra".
Em Junho de 2008, publicaram um CD duplo, comemorando o décimo aniversário.
Este trabalho, que tem por título "De Porta em Porta", comporta um cd com Cantares de Reis e Janeiras e outro com outras canções de recolha, na sequência do primeiro trabalho.
Assim, a banda musical do próximo Som da Gente é suportada na totalidade pelo Zaatam.
 

Foto: Alcides Riquito

Para além da música do Zaatam, no programa desta semana, voltam a estar em destaque os principais monumentos religiosos da freguesia de Ferreira de Aves principalmente o Convento de Santa Eufémia e a Igreja e Convento do Santo Cristo Crucificado da Fraga.

Na abordagem à história desta igreja, socorremo-nos de interessante obra do historiador Alexandre Alves que foi, durante muitos anos, director da prestigiada revista Beira Alta.

Para além do rigor histórico sobre os factos, a escrita deste autor é deveras envolvente e saborosa.

publicado por somdagente às 18:48
06 de Fevereiro de 2014

Ferreira de Aves é uma das maiores freguesias não só do concelho do Sátão mas também do próprio distrito de Viseu.

Terá herdado o nome de umas minas de ferro aqui exploradas pelos romanos.

Tem à volta de 2500 habitantes que se espalhm por uma área de cerca de 16 quilómetros quadrados.

Foi vila e sede de concelho entre 1126 e 1836.

D.Teresa concedeu-lhe foral, no início do Sec. XII, e mais tarde, o D. Manuel I veio a conferir-lhe a mesma honra como se prova pelo pelourinho que ainda hoje se pode admirar na povoação do Castelo.

É um pelourinho de estilo manuelino assente em quatro degraus quadrangulares com coluna monolítica de base quadrada e um fuste de secção oitavada. No capitel e pináculos podem observar-se algumas decorações com motivos vegetalistas.

Junto a este pelourinho pode ver-se também uma pedra, em graníto, com a escultura , em alto relevo, de duas aves.

Entre as diversas personalidades ligadas a Ferreira de Aves, destacamos Diogo Lopes Pacheco o único assassino de D. Inês que conseguiu fugir à fúria de D. Pedro e ainda o do primeiro bispo da diocese da Guarda quando esta mudou o paço episcopal da Idanha para a cidade mais alta de Portugal, D. Martinho Pais.

Ferreira de Aves, para além de contar inúmeras povoações, tem um extenso rosário de igrejas, capelas e ermidas, dispersas pelos três vales que marcam a paisagem da freguesia.

A igreja matriz de Ferreira de Aves, a única da diocese que tem como patrono o mártir Santo André, é de origem românica, teve a principal modificação no Sec. XVIII e encontra-se em bom estado de conservação.

Dá nas vistas, na parede do lado nascente, um portal românico com duas arquivoltas, capitéis e ábacos ornamentados com motivos vegetais e animais.

Numa das colunas do lado esquerdo desta porta, está marcado, em baixo relevo, uma medida de comprimento onde os mestres aferiam os instrumentos de medida.

No interior, notam-se gigantescas colunas em granito que suportam interessante tecto em madeira.

Num altar do lado direito, podemos ver uma imagem de Nossa Senhora resgatada da igreja do Convento da Fraga quando esta, na sequência da implantação da República, foi vendida a particulares.

Perto da povoação de Lamas, a mais comercial e desenvolvida da freguesia, num lugar idílico, junto a uma linha de água que as chuvas deste Inverno trazem de monte a monte, perto do lugar da Veiga, encontramos uma lindíssima igreja que, outrora, fazia parte do extinto Convento de Santa Eufémia

Este convento, de religiosas beneditinas, foi fundado, ao que parece, no longínquo ano de mil cento e onze.

Nas redondezas, ainda se vão lembrando os magníficos doces que as monjas aqui cozinhavam e algumas receitas chegaram aos dias de hoje.

O Convento de Santa Eufémia viria a ser extinto, em 1891, data em que faleceu a última religiosa professa.

Na parte este da freguesia de Ferreira de Aves, junto ao Vouga, que nasce, ali pertinho, na Lapa, impõe-se na paisagem o santuário do Senhor Santo Cristo da Fraga.

Em 1741, dois homens procuravam, na encosta da serra, uma pedra para uma mó de moinho. Achando uma que consideravam adequada,  quiseram moldá-la a poder de pico. Ao verem que os golpes eram sempre repelidos, afastaram a urgueira e diante dos seus olhos revelou-se uma imagem de Cristo crucificado, com dois palmos e meio de altura.

Isto não é lenda, é história.

Divulgado este invulgar achado, os romeiros, em grande número, começaram a acorrer ao lugar.

A partir da primeira capela edificou-se uma grande igreja integrada num convento entregue aos Capuchos de S. Francisco.

A esta primeira obra está ligado o nome do Cónego Agostinho Nunes de Sousa da Sé de Viseu.

Os frades do Convento da Fraga, apara além da caridade, dedicavam-se ao ensino, como aconteceu com os Missionários Claretianos, uma das últimas ordens a passar por aqui.

Do antigo convento restam apenas duas paredes e sabemos que as pedras do claustro estão no Museu do Caramulo, onde O Som da Gente também já fez reportagem.

Neste convento, residiu  Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo autor do célebre Elucidário e referido por Aquilino Ribeiro no livro Geografia Sentimental.

 

À recuperação da igreja do Senhor Santo Cristo da Fraga, como à do Convento de Santa Eufémia, está ligado o nome do padre Nuno Amador, pároco de Ferreira de Aves, há mais de quarenta anos, que, num espírito empreendedor, por vezes, quase aventureiro, conseguiu que os principais monumentos religiosas da freguesia estejam no bom estado em que hoje se se encontram .

Agradecemos ao padre Nuno a simpatia com que nos recebeu. Numa terra onde, como pudemos comprovar, os paroquianos admiram e acarinham o pastor que têm à frente da sua Igreja.

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 22:28
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