06 de Junho de 2012

Um dia um "Homem" olhou a primeira vez, com espanto, o primeiro gesto "consciente" das suas mãos livres que aperfeiçoavam o primeiro utensílio. Foi então que se ergueu, triunfalmente, o primeiro artesão.

http://www.cm-penalvadocastelo.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=106&Itemid=342

 

Como se pode verificar, esta frase encontra-se na internet, na secção dedicada ao turismo, da página da Câmara Municipal de Penalva do Castelo.

Aí também podemos dar conta que este concelho sempre contou, e conta, com muitos artesãos.

 

Por isso, O Som da Gente foi, mais uma vez, até Penalva à procura do que resta dos nossos artesãos.

No lugar de Vales, freguesia de Castelo de Penalva, encontrámos o empalhador Sílvio Fernandes.

Nasceu no Luso mas mudou-se para Penalva, por via de um segundo casamento.

Trabalha o vime desde os seis anos e aprendeu a arte com os pais que empalhavam os garrafões das Águas do Luso.

Agora trabalha para uma empresa da Serra da Estrela e para outra do Vinho do Porto. Podemos acrescentar que esta actividade foi e ainda é para Sílvio Fernandes um sucesso, mesmo sob o ponto de vista comercial.

A visão para o negócio levou-o, no Luso, também para a restauração, actividade que exercia a par do empalhamento.

Embora se fale em empalhamento, não é a palha que estes artesãos utilizam.

É o vime, descascado nesta altura do ano.

O vime que Sílvio Fernandes utiliza é produzido pelo próprio e, quando não chega, compra algum aos espanhóis.

Depois de seco, é transformado em tiras, em máquina própria que o artesão calibra com arte.

A par do empalhamento, Sílvio Fernandes dedica-se ultimamente também à cestaria, utilizando o vime inteiro, descascado ou cozido com casca. Outros cestos são feitos de tiras de castanho. Estas são abertas manualmente. A máquina que corta o vime não consegue fazer o mesmo na madeira do castanheiro.

 

Dos Vales e da freguesia de Castelo de Penalva, descemos até Pindo, junto à barragem de Fagilde, ao lado da capela de Nossa Senhora da Ribeira.

Fomos à procura de Joaquim Gomes, invisual, que faz interessantes entrançados em corda com madeira.

Joaquim Gomes vive na Quinta do Sargaçal, tem 51 anos e, de nascença, apenas tem dez por cento de visão.

Apenas com corda e madeira, faz interessantes bancos e cadeiras.

As dificuldades na aprendizagem escolar e a deficiência não o impedem de lidar com perigosas máquinas eléctricas.

Corta e aplaina a madeira. Encaixa as peças e urde interessantes teias para os assentos dos seus bancos e cadeiras.

Só visto.

Fotos: Alcides Riquito

 

 

 

 

publicado por somdagente às 11:22
01 de Junho de 2012

 Em 4 de Novembro de 2006, O Som da Genteesteve em Santa Cruz da Trapa com o jovem artista Custódio Almeida que dava nas vistas por ter as suas esculturas, em pedra, espalhadas na natureza, fazendo lembrar as estátuas gigantescas da Ilha da Páscoa, no Oceano Pacífico.

Com elas decorou um parque e ao conjunto e disposição das esculturas deu o nome de Círculo da Vida através do grito da pedra.

A reportagem desse primeiro programa centrou-se na visita a essa exposição que ainda hoje se pode visitar.

 Nesta segunda visita a Santa Cruz da Trapa, começámos a reportagem no atelier/oficina onde Custódio Almeida está a esculpir essencialmente madeira sob o tema do nu e da mulher.

Na evolução natural da sua arte, quer na pedra quer na madeira, o artista começou também a utilizar criteriosamente a cor o que vem a dar às esculturas outro ar, outra alegria.

 

Na mesma oficina, que é o rés-do-chão da sua habitação, podem ver-se também três telas gigantes que o pintor vai expor, em Setembro, no átrio do Tribunal de Viseu.

Como se pode observar pela imagem, embora Custódio Almeida se continue a afirmar como autodidacta, a sua pintura lembram-nos princípios que ficam entre o cubismo de Picasso e o surrealismo de Salvador Dalí.

 

A reportagem com Custódio Almeida terminou, no rio Teixeira, mais propriamente no Poço Azul, perto do lugar de Sobrosa, local onde Custódio almeia gravou, no granito amaciado pela corrente, dezenas de gravuras.

 

Estas não são do paleolítico mas esculpidas, a rebarbadora, no século vinte e um.

O tema e os traços são os mesmos que Custódio Almeida coloca na escultura: grandes formas, grandes olhos que marcam essencialmente expressões.

Também aqui, no vale do rio Teixeira, o tema da mulher a transversal a todas as gravuras.

 

Nas margens do Teixeira, Custódio Almeida não só gravou nas pedras do leito, algumas cobertas pela água na maior parte do ano. Também aproveitou a disposição de algumas pedras salientes, nas margens para, a partir daí, deixar algumas esculturas, como se pode verificar por esta foto.

 

Como a maioria dos artistas, Custódio Almeida não dá prioridade á recompensa financeira pela sua obra. Esta sai-lhe da inspiração e do impulso do momento. Esculpir, desenhar e pintar é-lhe tão natural e necessário como o comer ou respirar.

E pela observação das suas esculturas e pinturas poderemos ainda acrescentar que assim Custódio Almeida vai também exorcizando os seus fantasmas que povoam a memória de uma infância muito difícil

 

No programa desta semana, O Som da Gente vai assim ser um pouco diferente. Vamos ouvir falar da arte moderna que também se vai fazendo aqui pelo concelho de S. Pedro do Sul.

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 10:52
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