24 de Fevereiro de 2011

 

O Dr. António Moniz Palme é um sampedrense, figura multifacetada da nossa cultura, que será o convidado principal dos dois próximos programas de O Som da Gente.

Ao nível da música, é um amante do fado de Coimbra e faz parte, como guitarrista, do Grupo "Coimbra Eterna" da Associação dos Antigos Alunos da Universidade de Coimbra no Porto.

Enquanto estudante de Direito, em Coimbra, o Dr. António Moniz fez várias digressões ao estrangeiro com o Orfeão Académico de Coimbra. Neste programa é referida, de um modo particular, a figura do maestro, o saudoso Manuel Raposo Marques.

 

Na escrita, o Dr António Moniz tem-se destacado em diversa colaboração na imprensa, destacando o carinho especial que nutre pela imprensa regional.

Em 1980, editou o livro "O Almofariz", obra interessante que revela a visão e as experiências do autor sobre diversos acontecimentos por ele vividos destacando-se ainda a investigação sobre a Ordem dos Templários e o culto do Espírito Santo a nível nacional.

Pela diversidade, autenticidade e forma de escrita recomendamos a leitura do "Almofariz" que tem edição da Papiro Editora.

 

Para além da música e da pintura, o Dr. António Moniz revela o prazer do traço e do risco, no desenho e na pintura.

Rosa Pereira, referindo-se a esta faceta do convidado do próximo programa de O Som da Gente, diz que, nos seus óleos e aguarelas, podemos encontrar a paz e a alegria de viver.

 

Diz ainda que a humanidade nos rostos que desenha revelam a faceta de alguém que não passa alheio a tudo o que o rodeia.

Assim, nesta arte da tela, António Moniz Palme tem o prazer da cor, da cor ténue, transparente, derramada, transmitindo a alma que a fotografia não consegue retratar.

 

No programa da próxima semana, o Dr. Moniz vai-nos falar da sua colaboração na vida política e social do País e ainda recordar os homens e as mulheres da dinastia da Casa de Palme de que é hoje um dos dignos e fiéis representantes.

 

Fotos: Alcides Riquito

publicado por somdagente às 14:34
11 de Fevereiro de 2011

Palavra declamada em pedra,

que à arte mineral e pura se deu,

senhorial e descobridora,

com sílabas de granito

se abriu ao mundo:

foi além e acolheu-se

ao mar antigo e à terra estranha,

à gente remota e afeiçoada.

Daquela janela saudosa,

como verso que se faz poema

no curso vário, secular,

do alto se desvelou e viu,

e a novo canto se deu:

arte viva, grã cidade, Viseu.

 

Esta é uma poesia do Dr. José Valle de Figueiredo, dedicada a Viseu, a sua capital de distrito.

Este é o interlocutor do programa O Som da Gente desta semana.

Nasceu em Tondela a 29 de Março de 1942, e é actualmente o Director do semanário Folha de Tondela, o jornal mais antigo do Distrito de Viseu

É figura importante no panorama literário da poesia portuguesa contemporânea.

Organizou inúmeros colóquios, exposições e conferências, tendo produzido uma variadíssima obra literária e ensaística.

Produziu ainda programas para a Rádio Televisão Portuguesa: a “História do Traje”; “No Centenário d’Os Lusíadas”; “O Que é isso do Património?”.

Foi galardoado com a Medalha de Prata do Concelho de Oeiras, por serviços prestados à causa do património cultural e recebeu também a Medalha de Mérito Municipal, concedida pelo Município de Tondela, o seu concelho natal.

Foi Secretário-Geral e Vice-Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, de cujo Conselho Supremo é membro vitalício.

Foi presidente do Instituto Rainha D. Leonor, entre 1985 e 1996 e fundador e director do Departamento Cultural da União das Misericórdias Portuguesas.

Da sua variadíssima obra literária e ensaística, realçamos aquela que contou com o apoio do município de Tondela para a respectiva edição: “O Seu a Seu Poema – Obra Poética Completa”.

Pertence ao Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e é membro honorário do Círculo Eça de Queirós.

É de alguns aspectos da vida culturalmente rica de José Valle de Figueiredo que nos ocuparemos na primeira parte do programa da próxima semana.

 

 

Conhecedor profundo de Tomás Ribeiro, Valle de Figueiredo, na segunda parte do programa, vai falar-nos da obra que esse ilustre Homem de Tondela nos deixou.

Tomás António Ribeiro Ferreira nasceu em Parada de Gonta, a 1 de Julho de 1831.

Formado em Direito pela Universidade de Coimbra exerceu advocacia durante algum tempo. Enveredou depois pela carreira política, que desenvolveu a par da sua carreira literária.

Entre outros cargos, foi Deputado, Par do Reino, Ministro de Estado, Ministro da Marinha e das Obras Públicas, Governador dos Distritos de Braga e do Porto depois de, em 1860, ter sido nomeado Presidente da Câmra Municipal de Tondela.

Exerceu o cargo de secretário-geral do governo da Índia.

Tomás Ribeiro viria a ser projectado para a ribalta literária depois de ter publicado o poema D. Jaime, prefaciado elogiosamente por Castilho.

Foi amigo de Camilo Castelo Branco. Visitou-o em S. Miguel de Ceide, e auxiliou-o na doença.

Em Carnaxide, foi um dos maiores incentivadores do culto de Nossa Senhora da Rocha, tendo estimulado a construção do santuário.

Com este rico currículo, é  recordado em muitas avenidas e ruas de Portugal.

 

A 25 de Fevereiro de 1982, um grupo de amigos da sua terra, Parada de Gonta, a propósito dos 150 anos do seu nascimento, fizeram erigir o busto do poeta, perto do solar de São José, onde os seus pais estão sepultados.

 

Nesse busto, estão algumas palavras do poema D. Jaime, referentes a Portugal, que aqui vale a pena transcrever de uma forma mais completa:

Jardim da Europa à beira-mar plantado

de louros e de acácias olorosas:

de fontes e de arroios  serpeado,

rasgado por torrentes alterosas;

onde num cerro erguido e requeimado

se casam em festões jasmins e rosas;

balsa virente de eternal magia

Onde as aves gorjeiam noite e dia.

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 11:25
03 de Fevereiro de 2011

 

Que fresca aldeia formosa

Na margem do meu Pavia!

Tão branca, tão buliçosa,

Tão sussurante e donosa

No seu copado arvoredo

(...)

Assim se refere a Parada de Gonta o filho ilustre desta terra, o poeta Tomás Ribeiro, na sua obra D. Jaime. Foi exactamente a 6 de Fevereiro de 1901 que o poeta e estadista deixou o mundo dos vivos.

 

 

No centro, grave e campaneiro,

 se ergue o palácio da aldeia,

num liso largo terreiro

(...)

No centro, por sobre a porta,

Um brasão de fidalguia,

E, para o lado oriental,

Uma formosa capela

Tão vistosa e festival,

Que não se encontra mais bela

Noutra aldeia em Portugal.

  

Foi neste largo principal de Parada de Gonta, também cantado por Tomás Ribeiro junto ao túmulo de seus pais, na tal formosa capela, que Fernando Maia, ex-presidente da Junta, nos começou a falar da história de Parada, de Gonta.

 

 

 

Na sede do Grupo Cultural Os Amigos de Parada de Gonta, no centro do povoado, encontram-se fotos que documentam os principais monumentos da freguesia e numa das vitrinas encontra-se parte do espólio do Castro dos Três Rios um dos locais marcantes dos monumentos pré-históricos do concelho de Tondela.

Nesta sede encontra-se também para ser tratado o espólio do escritor Rodrigo de Melo.

 

 

 

Foram muitos os nomes da cultura, das letras e das artes que nasceram ou passaram por Parada de Gonta, à cabeça dos quais está naturalmente o nome do poeta Tomás Ribeiro.

Na igreja paroquial de Parada de Gonta,  dois painéis de azulejo de Jorge Colaço marcam a ligação familiar e pessoal  deste artista a esta terra.

 

 

 

A Tomás Ribeiro se deve o arranque da freguesia de Parada de Gonta no século XIX.

Tomás Ribeiro que para além de consagrado poeta foi também um político e estadista que deixou obra.

Foi ministro de um governo de Fontes Pereira de Melo e ainda hoje a escola de Parada de Gonta, edificada no seu tempo, ostenta o nome deste governante que pela época de desenvolvimento que deixou em Portugal marcou a nossa história com conhecido fontismo.

   

 

O programa de O Som da Gentesobre a freguesia de Parada de Gonta termina com música do Rancho Folclórico de Parada de Gonta e as palavras  de Fernanda Pinto sobre a história desta associação  filiada na Federação do Folclore Português.

 

Aproveitamos para agradecer ao Grupo Cultural Os Amigos de Parda de Gonta, aos ex-presidentes da Junta Fernando Maia e Fernando Moura Coutinho a colaboração preciosa para este programa.

Para o Alcides Riquito  que connosco tantas léguas tem percorrido mais um obrigado pelas belas fotos que aqui nos tem deixado.

Desta vez é sempre com satisfação quando fazemos despontar um brilhozinho no olhar quando na objectiva estão as paisagens da terra-mãe.

 

publicado por somdagente às 12:14
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