30 de Setembro de 2010

 

Oliveira de Frades tem no próximo dia 7 o seu feriado Municipal.

A 7 de Outubro de 1837, ainda no reinado de D. Maria II, foi restaurado definitivamente este concelho.

A propósito desta data festiva, O Som da Gente esteve pela primeira vez em Oliveira de Frades.

Fomos visitar o Museu das Técnicas Rurais. Guiaram-nos nesta visita, o seu director Filipe Soares e Lopes Martinho que foi, durante alguns anos, Director do jornal Notícias de Vouzela e sempre um apaixonado pela história da sua terra.

Acompanhou-nos também nesta visita a Dra Elisa Oliveira, Vereadora da Culura na Câmara Municipal de Oliveira de Frades

 

Lembraremos o passado do concelho de Oliveira de Frades  e dois nomes importantes na investigação histórica da região: Amorim Girão e António Nazaré de Oliveira.

No átrio do museu foi recentemente colocado o padrão da Albergaria de Reigoso, que remonta ao início da nacionalidade e que foi alvo de interessante estudo do historiador Nazaré de Oliveira publicado na revista Beira Alta.

 

 

Ainda no rés-do-chão, na sala dedicada à arqueologia, podem ver-se alguns marcos miliários da estrada romana que ligava Viseu a Águeda. Esta via mais tarde seria substituída pela estrada real, estrada do peixe, e mais recentemente pela nacional dezasseis na ligação do litoral com o interior.

Ao nível da arqueologia, não podemos deixar de lembrar as antas de Paranho de Arca e Antelas que colocam Oliveira de Frades na rota dos principais monumentos megalíticos da Europa.

Espalhadas pelo concelho há ainda outras pedras cobertas de história e de lendas como é o caso da Pedra das Ferraduras Pintadas, situada na povoação de Benfeitas, na freguesia de Destriz.

 

 

 

Grande parte do espaço do museu, como o próprio nome indica, é dedicado ao levantamento das técnicas rurais que marcavam a vida dos nossos antepassados. Diversos utensílios e peças originais ilustram a vida do dia do nosso homem rural e das artes e ofícios que o serviram.

O tratamento do linho, do vinho e do azeite, a que esta foto se refere, são outros temas tratados pelo Museu Municipal de Oliveira de Frades.

 

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 11:25
22 de Setembro de 2010

Será com muito gosto que voltaremos à Gralheira na serra do Montemuro, hoje marcada por dezenas de torres das eólicas, ao encontro de Carlos Silvestre, um amante da sua terra, um estudioso dos usos e costumes das gentes serranas.

Ali, no alto da serra, falou-se das rogas para as vindimas do Douro, dos rebanhos, dos locais e dos que vinham, em transumância, da serra da Estrela, das plantas silvestres comestíveis e da urgueira que dava carvão; falou dos comerciantes desse carvão e dos outros almocreves que cruzavam a serra e ainda da história verídica da Delfina, padeira, a Gaga, que ia vender o pão de Felgueiras nas povoações do vale da Paiva.

Descalças, de canastra à cabeça, caminhavam horas e batiam léguas para, de porta em porta, levarem as precisões em troca de dinheiro ou ovos.

O mesmo se passava com a sardinheira que subia do Douro até à Gralheira.

A sardinheira para além da sardinha, carregava as pesadas pinhas com os pinhões do Natal.

 

 

A Gralheira faz fronteira com os concelhos de Castro Daire e Resende.

Da povoação, vê-se, a norte, a pequena aldeia da Panchorra.

Ao fundo desta povoação, encontrámos bucólica paisagem com interessante ponte romana.

Aqui fica uma imagem deste quadro maravilhoso, captada, em momento feliz, pelo nosso fotógrafo Alcides Riquito.

Será junto a esta ponte, em cima das lajes da estrada romana, que iremos continuar, com Carlos Silvestre, a nossa segunda viagem por terras da Gralheira.

 

Junto à ponte romana da Panchorra, admirando os sulcos cavados na rocha pelos carros de bois e carroças, continuaremos a ouvir as estórias que marcavam anualmente a vida das nossas aldeias como o tocar do corno pelo Carnaval ou as travessuras pelo S. João.

Há um século estas aldeias da serra estavam repletas de crianças, jovens e adultos que aqui trabalhavam e se divertiam.

 

 

Dentro de duas semanas contamos voltar à Gralheira para visitarmos a povoação e, em lugares marcados, ouvirmos mais algumas estórias que vão também compondo a história do Som da Gente.

publicado por somdagente às 11:01
10 de Setembro de 2010

Este Programa, que será emitio, no próximo domingo, ente as 9 e as 10 horas, com reposição na quinta-feira seguinte, das 23 à meia noite, pode ser ouvido na internet através do site http://www.lafoes.eu/ na emissão on line.

 

De uma palavra calada, o mundo fica suspenso (…) Tudo depende da cor da palavra (…)

De uma palavra de ordem, o mundo fica suspenso (…)

Como tinha sido prometido, o próximo programa de O Som da Gente é dedicado à produção literária da escritora Aurora Simões de Matos, a poetisa da beira-Paiva.

Distinguida com diversos diplomas de louvor, reconhecimento e mérito é o bem-haja das gentes da sua terra natal, Meã, que mais lhe enche o coração.

Aurora Simões de Matos, viu a luz do mundo na encosta nascente da serra do Montemuro, trabalhou no Douro, em Lamego, e hoje vive no Porto.

Esta ligação entre a serra e o mar nota-se na sua poesia, nomeadamente na obra Uma Palavra: metade do meu ser cheirava a serra, metade do meu ser sabia a mar…

 

 

Na mistura das águas do Paiva com as do Douro, no verde das montanhas ou no azul do céu, se escondem as palavras da poesia que a Aurora vai divulgar no próximo programa de O Som da Gente.

Para além de cantar a sua Paiva e as gentes, que a admiram e dela se servem, na sua obra, a Aurora não esquece os seus familiares mais chegados como o pai, Agostinho Gralheiro, homenageado no poema à Sombra do Cruzeiro ou o avô materno lembrando emocionalmente na poesia Meu avô foi pescador.

A autora não deixou de nos confessar que é, nos momentos de saudade e de alguma melancolia e tristeza, que escreve as melhores poesias.

Quando a morte vier travar meus passos

e o meu corpo inerte for enfim

a inocência da terra adormecida,

a sombra do cipreste

guardará para sempre o meu segredo

e o silêncio não será mais grito,

nem o meu grito será mais silêncio(…)

 

 

Na declamação da maior parte das poesia, a autora teve o acompanhamento, à viola,  da sua neta Margarida que já revela um talento musical extraordinário. Quem sai aos seus não degenera…

Como escreveu o Dr. Arménio Vasconcelos, no prefácio do último livro da Aurora, ainda bem que aparecem poetas para cantar e valorizar as mulheres e os homens da beira-Paiva. 

Na declamação da maior parte das poesia, a autora teve o acompanhamento, à guitarra,  da sua neta Margarida que já revela um talento musical extraordinário. Quem sai aos seus não degenera…

Como escreveu o Dr. Arménio Vasconcelos, no prefácio do último livro da Aurora, ainda bem que aparecem poetas para cantar e valorizar as mulheres e os homens da beira-Paiva.

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 09:21
03 de Setembro de 2010

 

A freguesia de Nogueira do Cravo, do concelho de Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, vai estar em destaque no próximo programa de O Som da Gente.

Acompanhou-nos na visita, o nosso amigo Rui Pedro Coelho Fernandes mais conhecido por Rui Chalana devido a sua actividade no futebol profissional.

À entrada de Nogueira, no lugar da torre, há uma casa de interesse histórico ligada a várias lendas (foi feita numa noite, há, na cave, um bezerro de oiro…) a que o povo chama Casa dos Mouros.

Foi junto a este edifício milenar, hoje muito bem recuperado pelos actuais proprietários, que António Mendes Serra, director do jornal da terra O Chapinheiro, nos começou por falar da história de Nogueira do Cravo que já foi concelho.

 

 

Depois de passarmos pelo pelourinho, chegamos à igreja paroquial. Aqui, num amplo recinto, em frente às instalações da Casa do Povo e da Liga de Melhoramentos de Nogueira do Cravo, lembrámos lugares marcantes da freguesia como o solar Castro Pina, ligado à guerra civil entre absolutistas e liberais, o Caminho dos Fidalgos e a Casa do Mendigo, locais visitados, no último dia de S. Tiago, em caminhada de cariz cultural.

Nogueira de Cravo, sítio de passagem, ao lado da estrada da Beira, foi também saqueada na altura das Invasões Francesas.

António Serra falou ainda, com muita emoção, dos antigos pedreiros de Nogueira e Santa Ovaia que deixaram a marca da sua arte em trabalhar a pedra em vários edifícios da nossa Beira, nomeadamente em antigas escolas primárias.

Numa vida dura, em que os pedreiros estavam fora de casa, durante a semana, criaram entre sim uma linguagem própria, um verdadeiros dialéctico que só estes arguinas – pedreiros -  entendiam.

No monumento ao arguina, erguido em Nogueira de Cravo, lá está a quadra que perpetua a vida dura destes artistas: segunda, fartura, terça, ainda dura, quarta, já minga, quinta, faminta, sexta, passaremos e sábado para casa iremos.

 

 

Joaquim Correia mora em Vilela, na freguesia de Nogueira do Cravo. O bilhete de Identidade marca a data de nascimento a 6 de Agosto de 1908. Segundo o próprio recorda quando foi baptizado e por conseguinte registado, já teria uns três anos. Já foi a caminhar para a pia do baptismo.

Num falar atrapalhado pela idade, Joaquim Correia fala da sua vida dura de pastor e agricultor, da ida às feiras das redondezas e à romaria do Senhor das Almas, em finais de Maio, sempre a pé.

Revela grande admiração pela mãe – rija e esperta – que foi a mulher e o homem da casa depois de o marido ter emigrado para o Brasil de onde não voltou.

São algumas peripécias da vida deste idoso centenário que encerram a reportagem sobre a freguesia de Nogueira de Cravo que vai preencher o próximo programa de O som da Gente.

publicado por somdagente às 09:07
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