06 de Fevereiro de 2014

Ferreira de Aves é uma das maiores freguesias não só do concelho do Sátão mas também do próprio distrito de Viseu.

Terá herdado o nome de umas minas de ferro aqui exploradas pelos romanos.

Tem à volta de 2500 habitantes que se espalhm por uma área de cerca de 16 quilómetros quadrados.

Foi vila e sede de concelho entre 1126 e 1836.

D.Teresa concedeu-lhe foral, no início do Sec. XII, e mais tarde, o D. Manuel I veio a conferir-lhe a mesma honra como se prova pelo pelourinho que ainda hoje se pode admirar na povoação do Castelo.

É um pelourinho de estilo manuelino assente em quatro degraus quadrangulares com coluna monolítica de base quadrada e um fuste de secção oitavada. No capitel e pináculos podem observar-se algumas decorações com motivos vegetalistas.

Junto a este pelourinho pode ver-se também uma pedra, em graníto, com a escultura , em alto relevo, de duas aves.

Entre as diversas personalidades ligadas a Ferreira de Aves, destacamos Diogo Lopes Pacheco o único assassino de D. Inês que conseguiu fugir à fúria de D. Pedro e ainda o do primeiro bispo da diocese da Guarda quando esta mudou o paço episcopal da Idanha para a cidade mais alta de Portugal, D. Martinho Pais.

Ferreira de Aves, para além de contar inúmeras povoações, tem um extenso rosário de igrejas, capelas e ermidas, dispersas pelos três vales que marcam a paisagem da freguesia.

A igreja matriz de Ferreira de Aves, a única da diocese que tem como patrono o mártir Santo André, é de origem românica, teve a principal modificação no Sec. XVIII e encontra-se em bom estado de conservação.

Dá nas vistas, na parede do lado nascente, um portal românico com duas arquivoltas, capitéis e ábacos ornamentados com motivos vegetais e animais.

Numa das colunas do lado esquerdo desta porta, está marcado, em baixo relevo, uma medida de comprimento onde os mestres aferiam os instrumentos de medida.

No interior, notam-se gigantescas colunas em granito que suportam interessante tecto em madeira.

Num altar do lado direito, podemos ver uma imagem de Nossa Senhora resgatada da igreja do Convento da Fraga quando esta, na sequência da implantação da República, foi vendida a particulares.

Perto da povoação de Lamas, a mais comercial e desenvolvida da freguesia, num lugar idílico, junto a uma linha de água que as chuvas deste Inverno trazem de monte a monte, perto do lugar da Veiga, encontramos uma lindíssima igreja que, outrora, fazia parte do extinto Convento de Santa Eufémia

Este convento, de religiosas beneditinas, foi fundado, ao que parece, no longínquo ano de mil cento e onze.

Nas redondezas, ainda se vão lembrando os magníficos doces que as monjas aqui cozinhavam e algumas receitas chegaram aos dias de hoje.

O Convento de Santa Eufémia viria a ser extinto, em 1891, data em que faleceu a última religiosa professa.

Na parte este da freguesia de Ferreira de Aves, junto ao Vouga, que nasce, ali pertinho, na Lapa, impõe-se na paisagem o santuário do Senhor Santo Cristo da Fraga.

Em 1741, dois homens procuravam, na encosta da serra, uma pedra para uma mó de moinho. Achando uma que consideravam adequada,  quiseram moldá-la a poder de pico. Ao verem que os golpes eram sempre repelidos, afastaram a urgueira e diante dos seus olhos revelou-se uma imagem de Cristo crucificado, com dois palmos e meio de altura.

Isto não é lenda, é história.

Divulgado este invulgar achado, os romeiros, em grande número, começaram a acorrer ao lugar.

A partir da primeira capela edificou-se uma grande igreja integrada num convento entregue aos Capuchos de S. Francisco.

A esta primeira obra está ligado o nome do Cónego Agostinho Nunes de Sousa da Sé de Viseu.

Os frades do Convento da Fraga, apara além da caridade, dedicavam-se ao ensino, como aconteceu com os Missionários Claretianos, uma das últimas ordens a passar por aqui.

Do antigo convento restam apenas duas paredes e sabemos que as pedras do claustro estão no Museu do Caramulo, onde O Som da Gente também já fez reportagem.

Neste convento, residiu  Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo autor do célebre Elucidário e referido por Aquilino Ribeiro no livro Geografia Sentimental.

 

À recuperação da igreja do Senhor Santo Cristo da Fraga, como à do Convento de Santa Eufémia, está ligado o nome do padre Nuno Amador, pároco de Ferreira de Aves, há mais de quarenta anos, que, num espírito empreendedor, por vezes, quase aventureiro, conseguiu que os principais monumentos religiosas da freguesia estejam no bom estado em que hoje se se encontram .

Agradecemos ao padre Nuno a simpatia com que nos recebeu. Numa terra onde, como pudemos comprovar, os paroquianos admiram e acarinham o pastor que têm à frente da sua Igreja.

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 22:28
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