02 de Outubro de 2015

f_vale.jpg

O Dr. Fernando Vale, nasceu no lugar de Lufinha, freguesia de Ribafeita, concelho de Viseu e vive a dois passos deste lugar, em Lourosa da Comenda, concelho de Vouzela.

Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas. Para além da docência, tem vindo a registar grande actividade literária e editorial.

livro_bej.jpeg

 A última obra do Dr. Fernando Vale é uma edição feita pelo Município de Vouzela.

Minas da Bejanca, História(s) de Terras e Gentes

Como o próprio autor refere, em nota prévia, esta obra pretende reconstituir, analisar e transmitir, às novas gerações, o percurso das actividades de extracção do estanho e volfrâmio no Complexo Mineiro da Bejanca e em todo o concelho de Vouzela.

A razão próxima do livro é a celebração do centenário da descoberta da primeira mina que decorreu a 2 de Agosto naquele local.

Por acta, arquivada na Câmara de Vouzela, está documentado que a 12 de Agosto de 1915, José Marques do Vale, na altura com 27 anos, residente no lugar de Caria, freguesia de Queirã,  fez o primeiro registo  de uma mina de volfrâmio e estanho situada no lugar da Bajanca.

José Marques do Vale era tio-avô de Fernando Vale. O parentesco e as informações que os familiares e amigos lhe foram carreando, ao longo dos anos, serviram e impulsionaram o autor para a escrita.

Foram dez anos de árduo trabalho que se concretizaram numa obra completa, não só sobre a temática do volfrâmio a nível nacional, mas principalmente no âmbito regional.

Para além da temática ligada as ao ouro negro, outros apontamentos sobre o nosso património cultural estão ali bem descritos. Reporta-se à economia e cultura, desporto e lazer e tem ainda interessantes referência às festas e romarias tradicionais.

memorial.jpg

As comemorações do centenário da descoberta da Mina da Bejanca decorreram, no local, a 2 de Agosto de 2015, sob a responsabilidade do Município de Vouzela.

Na altura foi ali colocado um memorial com inscrição alusiva aos empresários e operários que passaram por aquele centro mineiro.

Depois de missa campal, presidida pelo Bispo de Viseu, houve uma tarde recreativa onde participaram a Banda de Moçâmedes, o Rancho Folclórico de Vilar, o Grupo de Trajes e Cantares de Loumão, o Grupo de Cantares de S. Miguel do Mato, o Grupo de Harmónicas da Freguesia de Queirã e as Capuchinas de S. Silvestre de Vasconha.

chaminé.jpg

 

No auge da exploração mineira na Bejanca, trabalharam no local milhares de pessoas. Os alemães tornaram este couto mineiro no terceiro a nível nacional e um dos melhores na Europa. Houve mesmo cuidados e avanços em relação às condições de trabalho e apoio às famílias.

A nível técnico o principal avanço prendeu-se com a energia eléctrica. Foi construída, de propósito, uma linha de alta tensão que vinha da barragem do Lindoso, de Castro Daire até à Bejanca. Estes avanços tecnológicos levaram o pároco  de S. Miguel do Mato,cónego António Domingues Nunes, a convidar o Bispo da Guarda para verificar, no local, a modernidade das instalações, da exploração e tratamento do minério.

Ainda hoje, quem visita o local, repara numa imponente e artística torre ali deixada pelos engenheiros alemães.

De tempos a tempos, fala-se do recomeço da exploração mineira na Bejanca.

Se este interesse industrial e comercial não chegar, a paisagem continuará em silêncio com as trincheiras e as galerias de bocas abertas de espanto por tal abandono.

Se assim for, resta ao poder autárquico preservar e defender o local, encaminhando-o para um roteiro turístico que englobe outras regiões mineiras da rota do volfrâmio, minério que marcou a época de maior desenvolvimento em Portugal, no século vinte.

Fotos: Horácio Ribeiro

 

 

 

 

publicado por somdagente às 11:47
Acabo de ouvir e visualizar a 2ª parte da vossa reportagem. Apresso-me a dar a si e à Rádio Lafões os meus sinceros parabém e votos de `continuação de muitos sucessos em prol da cultura popular e erudita das nossas terras e das nossas gentes.
Confesso que a vossa reportagem excedeu todas as minhas expetativas. A articulação da locução com a visualação de muita qualidade deu um efeito agradável ao ouvido e à vista. Então, na parte quase final, a inserção do hino do Mineiro das Minas de S. João, que hoje se generalizou e ultrapassou as fronteiras e até é adaptado na Galiza, como impulso e remate-impulso temático, teve um grande efeito. Eu tentei fazer o mesmo noutro contexto, mas não consegui.... Na parte final , a canção " Minha mãe, vou para o minério..." remeteu-nos para o problema de que nem tudo foi tão bom para todos...".
Penso que este vosso excelente trabalho merece ser reproduzido também noutros contextos e também para mais gentes, mas vocês verão...
Renovo-lhes os parabéns, desejo-lhe bom fim de semana e continuo ao dispor,
Fernando Vale
Fernando Vale a 17 de Outubro de 2015 às 21:13
Outubro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
24
25
26
27
28
29
30
31
Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
comentários recentes
Acabo de ouvir e visualizar a 2ª parte da vossa re...
Acredito e aceito. Isto foi o que se conseguiu ap...
Esse sr.Antonio Silva meu vizinho e compradre e am...
Apraz-me dizer, que Deus lhes dê força para conti...
Fico com água na boca.Quero VER!Abraço
Amigo e Senhor Fernando Luís,Parabéns pelo excelen...
Olá boa noiteO meu nome é Dina Cruz e sou técnica ...
Quando escreveram (e cito): "Em 1959, aqui nasceu ...
Intereessante!... Um espaço a ter em conta!
Conheci o Prof. Zé Fernando há 30 anos. Já nessa é...
blogs SAPO