18 de Outubro de 2013

Alvite é uma freguesia do concelho de Moimenta da Beira e tinha, em 2011, 1195 habitantes. Contrariando a tendência demográfica das terras do interior, a sua população chegou a aumentar nos últimos anos.

Foi recentemente elevada à categoria de vila.

Alvite situa-se no planalto da serra da Nave também conhecida por serra de Leomil.

Recebeu-nos no centro da aldeia a professora Modesta Figueiredo da Associação Gente da Nave.

 

No Largo da Tulha, a professora Modesta começa por nos falar da história de Alvite.

Embora a tradição oral diga que a povoação nasceu de uns casebres que pastores vindos da serra da Estrela aqui construíram, referências bibliográficas atestam que estas terras pagavam renda ao mosteiro de São João de Tarouca. Neste largo estaria a tulha para recolha destes bens e hoje, neste mesmo local, realiza-se, em Agosto, a Feira das Tradições.

Alvite tem uma agricultura muito própria. Aqui não se produz vinho nem azeite. A criação de gado e mais tarde a produção de batata, para semente, são aqui os principais frutos do trabalho da terra.

Esta cultura de batata de semente teve grande incremento nos últimos anos sendo a mesma guardada de um modo muito próprio, em silos construídos no solo.

Talvez as limitações da terra  para a agricultura tenham levado a maior parte dos habitantes de Alvite para o comércio.

Nesta actividade percorrem quase todo o país. Comercializam tudo mas o principal produto transaccionado é do ramo dos têxteis.Começaram por levar lã para as fábricas e a trazer cobertores. Agora, muitos são os produtos que passam de feira em feira ou levam porta a porta.

Marino Bernardino é um desses comerciantes e vai contar-nos algumas peripécias da sua vida que o levaram a calcorrear os caminhos da beira mar até à fronteira.

Para além da agricultura e do comércio, as actividades artesanais marcaram e marcam ainda a vida quotidiana de Alvite. O  Som da Genteteve a oportunidade de falar com o Sr. Joaquim Alexandre da Silva que continua a fazer a sua obra com matéria prima do local: a palha de centeio e a casca de silva.

Tivemos ainda oportunidade de falar com a Sra. Maria do Carmo Ribeiro que, à semelhança das suas avós, continua a tecer meias de lã enquanto caminha pelas ruas estreitas do lugar ou guarda o gado.

Na visita à Casa Museu de Alvite, a professor Modesta guiou-nos pelos rudimentares aposentos da casa. A sala é o principal aposento que servia também de quarto para dormir.

Ao lado, a cozinha era também um local muito frequentado e era aqui que se passavam os famosos serões nas noites longas do Outono e Inverno.

Ali está também a masseira que levedava o pão que ia cozer no forno comunitário, a roda para as peças de fumeiro e ainda o caniço onde secavam as saborosas castanhas.

Nas paredes, sem reboco,  estão pendurados quadros com os mais variados santos a quem o povo se achega nas horas de maior aflição.

Dentro da casa, tivemos ainda a  oportunidade de admirar as capas de Alvite e falar com o seu alfaite  Joaquim Ribeiro Novo que, para além de alfaiate encartado, foi também um dos barbeiros da terra.

Fotos: Alcides Riquito

 

 

publicado por somdagente às 12:08
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