09 de Novembro de 2012

 

Quando , neste Novembro, o frio já nos faz sentir o gelo e advinha a neve, O Som da Gente vai subir, mais uma vez, ao Montemuro, à procura das nossas tradições.

Parámos em Cêtos, na encosta nascente da serra, duma serra que vê, a norte, o Marão, a nascente, a Estrela e a poente o Caramulo e o S. Macário.

Cêtos onde as leiras, agora verdes, já deram muito milho, centeio, trigo e, imaginem, vinho.

Tem hoje bons acessos, ruas limpas e um núcleo urbano que, a partir do velho lugar, se espalhou pela encosta.

 

A emigração trouxe a esta terra melhores condições de vida, muito diferentes das que aqui existiam há cinquenta anos.

Nessa altura, quando o isolamento marcava o lugar, as famílias eram numerosas. Hoje, com ruas largas e casas confortáveis, a população é cada vez mais diminuta.

A emigração para a Suíça marcou a dinâmica populacional desta terra nas últimas décadas.

 

Com a principal força do trabalho ausente, já escasseiam também os pedreiros que aqui esculpiam as pias para o azeite a as faziam chegar a toda a região.

O granito, de grão muito fino e macio, lá continua a estar no miradouro de Cêtos, hoje ao lado da nova capela de Nossa Senhora de Fátima.

Para que melhor se aproveitasse a pedra, o antigo cruzeiro recuou alguns metros. O granito, esse continua á espera que mãos de artista o venham trabalhar, como os antigos o faziam.

 

Foi junto junto a esta pedra, indicada para as pias do azeite, que Abílio Pinto nos descreveu a sua terra e nos contou como aqui se vivia nos seus tempos de criança.

Abílio Pinto, como muitos dos seus conterrâneos, também foi emigrante mas agora é na sua terra natal que pratica agricultura e desenvolve a arte de construtor civil.

Para além disto, Abílio Pinto também é músico. Desde novo toca violino. Depois de ter feito parte da extinta Banda de Lá, de Castro Daire, fundou, em 2002, a sua orquestra regional Sons da Beira Alta.

Nesta orquestra, o violino já não tem só o acompanhamento das violas e do banjo, como era de tradição. Para satisfazer os tempos modernos, juntou-se o acordeão e o saxofone.

 

E, nesta visão musical e poética, a partir do alto das nossas serras, aqui ficam interessantes imagens captadas, por esta altura do ano, da encosta nascente do monte de S. Macário, olhando o vale de Lafões.

Perante tanta beleza, não admirar que, destas montanhas, tenham brotado poetas, músicos e bons homens do nosso povo. Ouvi-los, pelos seus instrumentos musicais ou em amena cavaqueira,  é um regalo para a mente e um consolo para a alma.

Fotos: Alcides Riquito e Fernando Luís

publicado por somdagente às 11:40
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