11 de Fevereiro de 2011

Palavra declamada em pedra,

que à arte mineral e pura se deu,

senhorial e descobridora,

com sílabas de granito

se abriu ao mundo:

foi além e acolheu-se

ao mar antigo e à terra estranha,

à gente remota e afeiçoada.

Daquela janela saudosa,

como verso que se faz poema

no curso vário, secular,

do alto se desvelou e viu,

e a novo canto se deu:

arte viva, grã cidade, Viseu.

 

Esta é uma poesia do Dr. José Valle de Figueiredo, dedicada a Viseu, a sua capital de distrito.

Este é o interlocutor do programa O Som da Gente desta semana.

Nasceu em Tondela a 29 de Março de 1942, e é actualmente o Director do semanário Folha de Tondela, o jornal mais antigo do Distrito de Viseu

É figura importante no panorama literário da poesia portuguesa contemporânea.

Organizou inúmeros colóquios, exposições e conferências, tendo produzido uma variadíssima obra literária e ensaística.

Produziu ainda programas para a Rádio Televisão Portuguesa: a “História do Traje”; “No Centenário d’Os Lusíadas”; “O Que é isso do Património?”.

Foi galardoado com a Medalha de Prata do Concelho de Oeiras, por serviços prestados à causa do património cultural e recebeu também a Medalha de Mérito Municipal, concedida pelo Município de Tondela, o seu concelho natal.

Foi Secretário-Geral e Vice-Presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, de cujo Conselho Supremo é membro vitalício.

Foi presidente do Instituto Rainha D. Leonor, entre 1985 e 1996 e fundador e director do Departamento Cultural da União das Misericórdias Portuguesas.

Da sua variadíssima obra literária e ensaística, realçamos aquela que contou com o apoio do município de Tondela para a respectiva edição: “O Seu a Seu Poema – Obra Poética Completa”.

Pertence ao Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e é membro honorário do Círculo Eça de Queirós.

É de alguns aspectos da vida culturalmente rica de José Valle de Figueiredo que nos ocuparemos na primeira parte do programa da próxima semana.

 

 

Conhecedor profundo de Tomás Ribeiro, Valle de Figueiredo, na segunda parte do programa, vai falar-nos da obra que esse ilustre Homem de Tondela nos deixou.

Tomás António Ribeiro Ferreira nasceu em Parada de Gonta, a 1 de Julho de 1831.

Formado em Direito pela Universidade de Coimbra exerceu advocacia durante algum tempo. Enveredou depois pela carreira política, que desenvolveu a par da sua carreira literária.

Entre outros cargos, foi Deputado, Par do Reino, Ministro de Estado, Ministro da Marinha e das Obras Públicas, Governador dos Distritos de Braga e do Porto depois de, em 1860, ter sido nomeado Presidente da Câmra Municipal de Tondela.

Exerceu o cargo de secretário-geral do governo da Índia.

Tomás Ribeiro viria a ser projectado para a ribalta literária depois de ter publicado o poema D. Jaime, prefaciado elogiosamente por Castilho.

Foi amigo de Camilo Castelo Branco. Visitou-o em S. Miguel de Ceide, e auxiliou-o na doença.

Em Carnaxide, foi um dos maiores incentivadores do culto de Nossa Senhora da Rocha, tendo estimulado a construção do santuário.

Com este rico currículo, é  recordado em muitas avenidas e ruas de Portugal.

 

A 25 de Fevereiro de 1982, um grupo de amigos da sua terra, Parada de Gonta, a propósito dos 150 anos do seu nascimento, fizeram erigir o busto do poeta, perto do solar de São José, onde os seus pais estão sepultados.

 

Nesse busto, estão algumas palavras do poema D. Jaime, referentes a Portugal, que aqui vale a pena transcrever de uma forma mais completa:

Jardim da Europa à beira-mar plantado

de louros e de acácias olorosas:

de fontes e de arroios  serpeado,

rasgado por torrentes alterosas;

onde num cerro erguido e requeimado

se casam em festões jasmins e rosas;

balsa virente de eternal magia

Onde as aves gorjeiam noite e dia.

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 11:25
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