21 de Fevereiro de 2014

A 5 de Fevereiro de 1914, com a abertura do troço entre Vouzela e Bodiosa, conclui-se a Linha do Vale do Vouga.

Neste troço, ficava a estação de S. Pedro do Sul, na foto, local onde hoje funciona uma cooperativa local ligada à gastronomia e ao artesanato.

 

Assim, os comboios e as automotoras desta linha marcaram também a vida social de S. Pedro do Sul durante cerca de sete décadas do século passado.

Registamos aqui as principais datas que marcaram as diferentes etapas da construção da linha estreita do Vale do Vouga.

A 8 de Setembro de 1911, abriu o troço entre Albergaria e Macinhata do Vouga e ainda o ramal de Aveiro. O troço entre a Sernada e Rio Mau, entrou ao serviço em 5 de Maio de 1913.

A 5 de Setembro do mesmo ano, abriu a linha entre Viseu e Bodiosa e, em 4 de Novembro seguinte, o Vale do Vouga veio de Rio Mau até Ribeiradio. A 30 de Novembro de 1913, chegou a Vouzela.

O último troço, entre Vouzela e Bodiosa, foi inaugurado a 5 de Fevereiro de 1914.

A propósito desta data, a Câmara de S. Pedro do Sul está a levar a efeito um programa comemorativo que consta de uma exposição alusiva, nos Paços do Concelho, uma conferência temática a realizar no Cine Teatro, na tarde de amanhã, e com duas caminhadas no Domingo pela antiga linha do caminho de ferro.

No final destas caminhadas, na estação de S. Pedro do Sul o escritor dramaturgo Jaime Gralheiro dirige uma encenação teatral recordando o Vouguinha.

 

Na exposição, que está patente na Câmara Municipal, podemos ver, entre muitas fotografias e alguns adereços ligados à Linha do vale do Vouga, a farda do último chefe da estação de S. Pedro do Sul.

Armando Ribeiro que conta agora 71 anos, foi o último chefe da estação ferroviária de S. Pedro do Sul.

É o próximo entrevistado de O Som da Gente.

Se o comboio ainda circulasse por aqui, o último chefe da estação, podia continuar admirá-lo da sua residência, em Negrelos, sobranceira à extinta via, onde ainda hoje dois curtos carris e uma vagoneta a recordam para os vindouros.

 

Começou agora a falar-se de uma nova ligação ferroviária entre Viseu e Aveiro com continuação para Vila Formoso.

Seria, sem dúvida, a melhor prenda, nos 100 da antiga Linha do vale do Vouga.

Sabemos que as características montanhosas do terreno não são muito favoráveis ao traçado de uma via férrea. No entanto, também sabemos que hoje há novas e boas soluções no âmbito da engenharia ferroviária.

Haja dinheiro e vontade.

 

E, se a nova via ferroviária necessitar de viadutos, que os façam tão bonitos como as pontes da antiga linha que ainda hoje se podem admirar no Poço de Santiago, em Pessegueiro do Vouga, ou no Pego, em Drizes, por exemplo.

 

Por agora, fica a saudade do nosso Vouguinha da via estreita que levou e trouxe muitos militares, guardou lindas de amor, no vagão do correio, levou muita castanha patra o litoral e alombou, Vouga acima, muitas rasas de sal.

O comboio acabou mas a exuberante paisagem que Correia de Oliveira tão bem cantou aí continua, à espera que o homem dela se aproveite, no respeito que sempre a mãe natureza pede, muitas vezes exige e, por vezes, obriga.

 

Fotos:Alcides Riquito

publicado por somdagente às 11:29
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