09 de Dezembro de 2011

A Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo, é actualmente um hotel, classificado com cinco estrelas, e pertence à Visabeira Turismo.

Na visita que O Som da Gente e a Rádio Lafões fez a este interessante solar do Sec.  XVIII, um dos mais importantes a nível nacional, fomos recebidos por Andreia Rodrigues, Subdirectora deste hotel de charme.

A história da Casa da Ínsua passa pela ida de Luís Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres para Governador de Cuiabá e Mato Grosso,no Brasil.

Aí, o herdeiro da Casa da Ínsua fez a fortuna que lhe permitiu a construção de dois palácios. No Brasil, o Real Forte Príncipe das Beiras, umas das vinte e cinco maravilhas portuguesas no mundo, e aqui a Casa da Ínsua.

O traço do edifício foi desenhado pelo próprio.

 

Enriqueceram-na pormenores do arquitecto italiano Nicola Bigaglia, como esta lareira do salão, e os azulejos de Luigi Batistini.

Algum do mobiliário é de autoria de um marceneiro que trabalhava para o Marquês de Pombal e ainda hoje se podem admirar, nesta mesma sala, interessantes pinturas no tecto e um soalho com diversas madeiras raras.

Recantos admirados na Casa da Ínsua são os seus jardins.

O inglês, com as suas árvores frondosas, e o francês, um Versalhes em miniatura, com os seus corredores de buxos, as camélias e uma centenária magnólia.

A flor de lótus, que dura apenas 48 horas, pode aqui ser admirada nos meses de Julho e Agosto.

Na nossa visita à Casa da Ínsua, passámos ainda nas cozinhas. A branca, mais moderna e destinada aos patrões e a mais antiga, com monumental lareira e chaminé.

Ao lado está um moderno restaurante onde se podem degustar pratos tradicionais da culinária da nossa Beira.

No actual hotel da Casa Ínsua, os hóspedes, recebidos em ambiente familiar, podem dormir em quatros únicos, cada qual com o seu nome e a sua história e, se assim o entenderem, participar nas vindimas na quinta ou acompanhar o pastor do rebanho que fornece leite para um queijo próprio com marca Serra da Estrela.

 

Em tempo de Nossa Senhora da Conceição, a visita de O Som Da Gente à casa da Ínsua terminou na capela do solar, dedicada à Senhora, Rainha de Portugal, por aclamação do nosso rei D. João IV.

Fotos: Alcides Riquito

 

 

publicado por somdagente às 14:11
03 de Novembro de 2011

No Som da Gente desta semana, Raquel Greenleaf, Directora do Museu Rural de Várzea de Calde, com muita simpatia e justificado orgulho na casa que dirige, vai fazer-nos uma visita guiada pelos três edifícios que constituem o museu.

 Como sabemos quão difícil é encaminhar os ouvintes apenas pelo som, aqui deixamos algumas imagens de suporte. As outras hão-de consegui-las, pelo próprio olhar, quando resolverem ir até Várzea de Calde.

 

 

No primeiro edifício, ao lado da recepão, fica o currral do porco destacando-se aí o papel deste animal na alimentação e na economia da tradicional família rural da nossa Beira Alta.

Ainda neste edifício está em destaque a cozinha.

A cozinha é o mais importante compartimento da casa rural. É ali que se preparam e tomam as refeições, é ali o centro da vida da relação da família, é o lugar habitual de recebimento de amigos e é ainda o lugar do serão.

Assim descreve o Dr Alberto Correia este lugar nevrálgico da casa na vida da mulher e do homem do campo.

A propósito, aqui deixamos este belo texto  A Cozinha- mais que um tempo de mulher, exposto no museu, da autoria do já citado Dr. Alberto Correia que esteve com O Som da Gente, em Junho de 2009 na  visita à Sé de Viseu falando ainda da história da cidade de Viriato. 

 

O Museu Rural de Várzea de Calde adoptou o nome de Casa da Lavoura e Oficina do Linho.

Por isso, ali, os quartos de dormir da antiga casa deram lugar a amplo salão onde se mostra todo o ciclo do linho, grande complemento da actividade agrícola.

Como refere ainda Alberto Correia, os tecidos de linho e de estopa constituíram, durante muito tempo, a base da indumentária masculina e feminina. Também eram feito de linho os lençóis e travesseiras, as toalhas de rosto, de mesa, as toalhas de baptizado e as que eram oferecidas para o altar da capela.

A visita guiada ao Museu Rural de Várzea de Calde terminou no edifício da adega onde se vê um lagar com vara de tradição medieval, a pia do azeite, a salgadeira e a tulha para o milho e feijão.

Por tudo isto, convidamos o amigo ouvinte da Rádio Lafões a ir, pela EN2, a antiga estrada que liga Castro Daire a Viseu até Várzea de Calde. A entrada é gratuita e o horário é das 10 às 12  e das 14 às 17 horas. Está encerrado às segundas-feiras.

Fotos:Alcides Riquito

 

publicado por somdagente às 11:11
28 de Outubro de 2011

Uma casa de lavrador abastado da nossa Beira Alta.

Um pátio que dá para o curral do porco, para a loja das vacas e para a cozinha com sala ampla e lareira.

No primeiro andar, os quartos de dormir, hoje transformados em amplo espaço, lugar para um velho tear com a representação de todo o ciclo do linho.

Num outro espaço, do mesmo edifício, dois teares estão ainda em laboração. 

Um outro edifício desta antiga casa de lavoura, é hoje dedicado à aldeia. Aqui se regista a ligação da terra ao homem.

No pátio, o forno tem a porta aberta para o pão e, noutro edifício, o lagar e a adega são a marca da hospitalidade beirã: pão e vinho sobre a mesa...

Estamos a falar da Casa da Lavoura e da Oficina do Linho do Museu Etnográfico da aldeia de Várzea, freguesia de Calde, no concelho de Viseu.

 

 

Para o Presidente da Junta de Freguesia de Calde, Herculano Gonçalves, Várzea é um dos lugares maiores da freguesia com identidade própria e muita história.

Lembrou o papel do Grupo de Trajes e Cantares do Linho na construção do museu etnográfico e, com muita confiança no futuro, falou para O Som da Gente da vida cultural e associativa da sua freguesia.

A Veredora da Cultura e Património da Câmara Municipal de Viseu, Dra. Ana Paula Santana, fez as honras da autarquia na recepção da reportagem da Lafões.

Enquadrou a Casa da Lavoura e Oficina do Linho nas estruturas museológicas, construídas e a construir no município viseense, como o do quartzo que vai brevemente funcionar no monte de Santa Luzia.

Falou ainda de outras iniciativas, de índole cultural,  que continuam a pôr Viseu em movimento, apesar da actual e difícil situação financeira.

 

Na próxima semana,O Som da Gente com a Dra. Raquel Greenleaf  irá fazer uma visita pormenorizada ao Museu Etnográfico de Várzea de Calde.

Fotos: Alcides Riquito 

 

 

publicado por somdagente às 11:12
14 de Outubro de 2011

 

Armando Rodrigues nasceu em Paradela de Valadares, no tempo da fome, a seguir à Segunda Grande Guerra.

Foi criado e pastor. Aprendiz numa fábrica de fundição no Porto.

No entanto,foi para marceneiro que sempre lhe puxou a vocação.

Esta foi a arte que exerceu em França. A sua ida para este país, a salto, foi uma epopeia que o nosso entrevistado relata, ao pormenor, no Som da Gente deste fim de semana.

Como reformado, regressou a Portugal onde, em Santa Cruz da Trapa, continua a exercer a arte de marceneiro agora quase como passatempo. Uma das coisas que actualmente gosta de fazer é o tratamento de raízes dando asas à imaginação criando as mais variadas figuras e bicharocos.

 

Uma outra paixão de Armando Rodrigues é a música.

Começou por tocar gaita de beiços e depois bandolim.

Hoje, pela arte de marceneiro, faz e rapara guitarras e bandolins que toca utilizando todas as técnicas modernas o que é mais admirável quando já se conta no clube dos octogenários.

 

Fotos: Alcides Riquito

publicado por somdagente às 11:12
07 de Outubro de 2011

 

A associação Binaural, com sede em Nodar, continua a desenvolver os seus projectos no âmbito das Residências Artísticas.

O Festival Vozes de Magaio que decorreu de 1 a 3 de Outubro, nas freguesias de Candal e Manhouce, foi o culminar da obra de cinco projectos de artistas oriundos do México, Brasil, Bélgica, Holanda, Israel e Inglaterra.

No programa de hoje, o Director da Binaural, Luís Costa, começou por nos falar das actividades que a sua associação levou e está a levar a cabo na presente temporada.

 

Rogério Nuno Costa, um minhoto, formado academicamente em Lisboa, veio até à serra da Arada desenvolver o projecto Vou à Tua Mesa na sequência de outro denominado Vou a Tua Casa.

Como vai referir Rogério Costa,no Som da Gentede hoje, uma das primeiras pessoas que visitou, no âmbito do seu projecto, foi Isabel Silvestre, a cantadeira de Manhouce, um ícone da nossa cultura beirã.

Ainda na freguesia de Mnhouce, no Gamoal, visitou-se o sr Domingos que nos falou das ervas aromáticas que a tradição utiliza na culinária e na cura de algumas maleitas.

 

Em Casa de dona Ana, no Candal, Rogério Costa ouviu falar da confecção do escoado. da cabidela de galo, das tradicionais carolas e da sopa seca.

Dona Ana falou-nos ainda da música tradicional, um dos elementos da nossa tradição, e emocionalmente lembrou o Rancho Folclórico do Candal, actualmente sem actividade.

 

Assim, com a preciosa ajuda do Luís Costa, O Som da Gente acompanhou quem, vindo de longe, se interessa pelo nosso povo, pelas nossas tradições, pela nossa cultura.

 

Fotos: Alcides Riquito

publicado por somdagente às 14:41
15 de Julho de 2011

 

O último programa de O Som da Gente, antes das férias, promete ser um  documento único.

José Maria, agricultor e guardador de gado, na serra de Montemuro, vai assobiar algumas das modas da sua terra ao mesmo tempo que comenta a música tradicional da região serrana.

 

publicado por somdagente às 12:06
08 de Julho de 2011

 

Em tempo de verão, vamos voltar a subir e a descer o Montemuro para novo encontro com o amigo José Maria, o cantador de Pimeirô, lavrador e guardador de gado na serra.

A primeira conversa aconteceu junto a uma lameira, na altura da recolha do feno que, lá para o inverno, sempre há-de dar para empalhar uma boa junta de vacas.

 

Vamos continuar a ouvir as memórias de um homem da serra, onde a vida era e continua a ser dura.

 

publicado por somdagente às 11:00
01 de Julho de 2011

 

No programa deste fim-de-semana, O Som da Gente vai repetir a reportagem. emitida em 2009, com o Dr Alberto Correia que, no local, falou da história da cidade de Viseu.

O programa termina com uma visita aos claustros e Sé de Viseu.

publicado por somdagente às 17:43
24 de Junho de 2011

Ao terminar o mês dedicado aos santos populares, O Som da Gente desta semana vai ser preenchido com a nossa música.

Em destaque, na primeira parte, estará o projecto Baile Popular do compositor João Gil e do letrista João Monge.

publicado por somdagente às 11:55
16 de Junho de 2011

O programa de O Som da Gente desta semana foi gravado na povoação de Casal, na freguesia de Torredeita, concelho de Viseu, entre a antiga linha estreita do Dão e a actual auto-estrada que substituiu o IP5.

 Ernesto Monteiro, apesar de contar já 91 anos, aparenta ser um homem de meia idade.

Nem a maior contrariedade da vida (ficou viúvo ainda novo) tirou a alegria de viver a este homem que, como trabalhador, passou pela Companhia das Lezírias e foi também ferroviário na linha da Beira Alta.

Uma outra arte que desenvolveu, ao longo de muitos anos, foi a de enxertador, passando, nessa profissão, por muitas das vinhas de Torredeita e das freguesias vizinhas.

 Na terra, é também conhecido por o homem do violino, instrumento que ainda toca no Rancho Folclórico de Torredeita. Aliás, se falarmos dos que estiveram no início desta agremiação, Ernesto Monteiro é, hoje, o número um.

 

Há anos, apanhou grande susto quando, na função de enxertador, fez um golpe numa das mãos colocando assim em perigo o manuseamento do violino.

 

Felizmente esse percalço foi ultrapassado e assim, com 91 anos, Ernesto Monteiro confessa que, com treino, conseguirá atingir, na execução musical, o nível de outros tempos, por exemplo, os da época em que fazia parte da saudosa e histórica Tuna de Ferrocinto.

 Fotos: José António dos Santos Pereira

publicado por somdagente às 11:26
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